#Método

Sou a fonte original de toda a vida.

Sou o chão que se prende à tua casa.

Sou a telha da coberta de teu lar.

A mina constante de teu poço.

Sou a espiga generosa de teu gado

e certeza tranquila ao teu esforço.

Cora Coralina

Com que práticas e meios realizo?

Como meu processo criativo se materializa?

Como estamos cocriando e construindo?

Vejo o elemento #método como estrutura intelectual que organiza meus pensamentos, guiando-me por um percurso de escolhas e práticas para chegar à realização do #propósito.

Não consigo dissociar essa estrutura intelectual das demais estruturas (corporais, sociais, econômicas, tecnológicas, ambientais…) envolvidas no percurso.

Estrutura é sustento. Elemento terra. Matéria dura, resistente. Algo que se pode manipular, compor, ordenar. Argila que nos permite construir.

Sinto-me potente. Colocar a mão na massa e fazer acontecer.

Preciso me manter vigilante (pois não quero vestir o colar de Harmonia). As estruturas são necessárias, mas não permanentes. Precisam fenecer para gerar vida nova. Estruturas perpétuas são fósseis. Desprovidas de energia criativa, não apenas se desconectam da renovação incessante da vida, como também ameaçam a sua continuidade.

“A natureza é vida e sucessão, desde um centro desconhecido até uma periferia incognoscível”.

As palavras de Goethe me envolvem como um manto. Desejo interferir nos processos da natureza para realizar meu #propósito e viver meu #sentido. Mas o equilíbrio da vida é delicado e complexo. Fruto de uma consciência que não consegue compreender o todo, minha tecnologia é vã.

Meu #método deve me permitir aprender para que eu o transforme.

Desejo lidar com ele como diálogo com a natureza, tentando compreender o que ela me diz e buscando interferir da forma mais sutil possível em sua dinâmica misteriosa.

Quero que meu #método desperte processos criativos em mim. Que me ajude a sustentar as mutações que acontecem em meu interior. E que seja ele próprio expressão de meu jeito de estar e me transformar no mundo.

Busco em meu #método uma qualidade de leitura. Que ele me permita ouvir a diversidade e que não imponha um modo único de enxergar e interpretar os fenômenos. Que abra espaço para eu ir além de meus limites de percepção e de seus próprios.

Busco equilíbrio: que meu #método seja tão rigoroso quanto flexível, tão incisivo quanto acolhedor, que organize, mas, também, abra espaço para as incertezas.

Busco vida: que ele me mantenha em comunhão com o ambiente sagrado: a Mãe Terra que nos alimenta e sustenta, que é generosa e frágil, meu meio, meu corpo.

 

cloudTERRA

 

Ver Aline Fantinatti

 

Ver Américo Córdula

 

Ver Pedro de Freitas

 

Ver Karina Saccomanno Ferreira

 

Ver Leandro Oliva

 

Quando a água busca a terra é pra cultivar a semente que já está lá, plantada no campo material. Essa semente vira método, partitura, a melodia pode ganhar letra (ou não). Os acordes são indicados por cifras, como um idioma universal. O som se materializa numa gravação (digital ou analógica). A “terra” dos vinis de outrora é a “nuvem”dos internautas de agora. A missão de captar o “invisível” assume outras formas, outros modelos, mas é como ouvi uma criança dizer: – Para onde vai a música quando ninguém está tocando?

No silêncio das pausas é onde moram os sons | Victor Pessoa Bezerra

 

A terra é dura, resistente. Ela é sólida e formatada; num sentido muito literal, ela é aterrada. As imagens de fundação e de alicerce emergem. Terra é algo com o qual se pode construir, dar forma a conceitos, possibilitar que ideias se manifestem; permitir que o novo nascente torne-se algo substancial, permitir que o processo criativo se materialize em algo que possa ser visto, tocado, produzido, compartilhado com outros que não fizeram parte do processo.

Allan Kaplan em Artistas do invisível

 

Na origem, a palavra “método” significava caminho. Aqui temos de aceitar caminhar sem caminho, fazer o caminho no caminhar. O que dizia Machado: “Caminante no hay camino, se hace camino al andar”. O método só pode formar-se durante a investigação; só pode desprender-se e formular-se depois, no momento em que o termo se torna um novo ponto de partida, desta vez dotado de método. Nietzche sabia-o: “Os métodos vêm no fim” (O Anticristo). O regresso ao começo não é um círculo vicioso se a viagem, como hoje a palavra trip indica, significa experiência, de onde se volta mudado. Então, talvez tenhamos podido aprender a aprender a aprender aprendendo. Então, o círculo terá podido transformar-se numa espiral onde o regresso ao começo é, precisamente, aquilo que afasta do começo. (…)

Edgar Morin em O método 1: a natureza da natureza

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Elemento #sentidoElemento #aprendizadoA beleza dos opostos 
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No silêncio das pausas é onde moram os sons

Quando a água busca a terra é para cultivar a semente que já está lá, plantada no campo material. Essa semente vira método, partitura, e a melodia pode ganhar letra (ou não). Os acordes são indicados por cifras, como um idioma universal. O som se materializa numa gravação (digital ou analógica). A “terra” dos vinis de outrora é a “nuvem” dos internautas de agora. A missão de captar o “invisível” assume outras formas, outros modelos, mas é como ouvir uma criança dizer:

– Para onde vai a música quando ninguém está tocando?

No silencio das pausas é onde moram os sons, nas notas elas apenas se movimentam. Quando reproduzimos o que está escrito nas partituras, estamos corroborando uma ideia que fez todo um percurso. Quando gravamos em estúdio, estamos encerrando um ciclo para começar um outro. Esse encerramento de ciclo é também, a terra que adubamos e repousamos para fazer novas colheitas no futuro.

A poesia desse chão vai sendo afeita ao método e ao pragmatismo do processo: preciso “aterrar” as ideias em um papel que tem a intenção de definir em palavras o que não se define e nem se explica. Para o entendimento do público, dos patrocinadores e dos contratantes em geral o projeto escrito se faz necessário e traduzir esse material “imaterial”em textos breves e resumidos é um exercício árduo e desafiador. Reduzir o texto sem redução da obra, sem reducionismos vazios de superficialidades panfletárias. O conteúdo deve, acima de tudo, buscar sua própria originalidade mesmo adequada aos padrões propostos e, ao mesmo tempo, manter o solo fértil e flexível às demandas dos editais.

O fruto desse processo pode ter capilaridade em shows e tournées pelo mundo afora, até completar o ciclo e recomeçar um novo.

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O caminho quadruplo

quadruploLogo no início dos encontros para pesquisa dos elementos sociocriativos, ouvi um provérbio indígena que ficou gravado na minha mente e no meu coração: “O passado está na frente. O futuro está na gente”.

Essa curta frase me levou a fazer várias sinapses que pareciam não ter fim.

Nesse meio tempo, fui um dia à livraria para ver se encontrava algo novo. Um livro de capa vermelho vivo, com um título que sincronizava com o estudo do grupo, me chama a atenção.

Logo no início, leio a apresentação à edição brasileira:

“Você está começando a embarcar em uma viagem para o mundo das “Rodas das Chaves”. Se você tem um pensamento linear, ajuste seu processo de pensar e engaje-se na criativa aventura de pensar em círculos…

As Rodas são uma maneira de recordar, compreender e decodificar conhecimentos que estão assentados como as camadas que se vê nos perfis das montanhas mais antigas de nosso Planeta. Elas nos levam a uma percepção do tempo, de maneira multidirecional, de um dado instante; são como mapas cognitivos e ferramentas que ampliam nossa compreensão.

(…)

O mundo em que vivemos é definido pelos poderes das quatro direções e estabilizado pelos quatro elementos; o estilo de vida, pelas quatro estações, refletido em nossos corações, mente, corpo e alma, seja interna ou externamente, manifestando seus poderes e beleza em todas as nossas relações.

(…)

Hoje, em nosso tempo transcultural, além de todos os “ismos”, no “aqui e agora” que é formado por todos os “nossos ontens” e que será o nosso amanhã; na busca de nosso poder e do reconhecimento de quem somos, de onde viemos, para onde vamos, o que estamos fazendo aqui e como transformar todas as nossas relações equilibradas, corretas, belas e harmoniosas.” – José Duarte Filho

Ainda estou lendo e absorvendo cada ensinamento desse livro. Não, não se trata de livro de autoajuda. A autora, Angeles Arrien, é um dos nomes mais respeitados no universo dos profissionais que estudam culturas indígenas, buscando integrar a essência desses conhecimentos à vida moderna.

Termino essa dica de leitura com um trecho do livro “The labyrinth of solitude”, de Octavio Paz, citado no Apêndice B desta obra:

“O que movimenta o universo é a interação, a atração e repulsão entre diversidades. Pluralidade é vida, uniformidade é morte. Ao suprimir diferenças e peculiaridades, ao eliminar diferentes civilizações e culturas, o progresso enfraquece a vida e favorece a morte. O ideal de uma só civilização para todos implica o culto do progresso e da técnica, que nos empobrece e mutila. Cada visão de mundo que se apaga, cada cultura que desaparece diminui a possibilidade de vida!”

Ver Denise Lagrotta
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livro O caminho quádruplo no Google Books
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