#Propósito

 

Imaginar é o princípio da criação.

Nós imaginamos o que desejamos,

queremos o que imaginamos e, finalmente,

criamos aquilo que queremos.

George Bernard Shaw

 

Ando sonhando com o que?

Em que mundo quero viver?

Quem desejo ser?

O que desejo realizar?

A palavra propósito me remete à razão de ser de minhas práticas, plasmada em insights de uma nova vida que eu desejo ver brotar.

Imagens que vou criando com entusiasmo e leveza. Visões que também me criam ao me convidarem a fazer determinadas escolhas.

Intenção de ser melhor. Aspiração. Busca. Vir a ser, ver-me a ser.

Um olhar para dentro e para fora. Um olhar que enxerga uma outra realidade possível e procura compreender como desencadear e sustentar as transformações que levam a ela.

Engendro meu propósito com liberdade criativa. Com abertura para novas relações, novas sinapses. Inspiro o ar fresco das utopias. O oxigênio que alimenta a chama dos meus #sentidos.

Desvendo. Exploro o que ainda não está claro. Esboço. Modelo. Experimento.

Inquieto, conto uma história para que você também possa ver. Escuto carinhosamente as coisas que você me diz, ávido por expansão e comunhão. Fluímos num conversar que entrelaça nossas ideias, desejos e emoções.

Imaginamos juntos. Deixamo-nos envolver pela atmosfera dos sonhos que nos conectam e nos fazem intérpretes e cocriadores do mundo.

A palavra ‘propósito’, em latim, carrega o significado de ‘aquilo que eu coloco adiante’. O que estou buscando. Uma vida com propósito é aquela em que eu entenda as razões pelas quais faço o que faço e pelas quais claramente deixo de fazer o que não faço. Como a sociedade hoje é mais focada no indivíduo, a ideia de propósito está marcada por um conceito que já existiu e voltou com força: o da realização. E a palavra realizar em suas leituras no latim e inglês indica, respectivamente, realizar no sentido de ‘tornar real’, mostrar a mim mesmo o que sou a partir daquilo que faço, e ‘to realise’, na acepção de ‘dar-me conta’. Isso significa a minha consciência.

Mário Sérgio Cortella, em Por que fazemos o que fazemos

 

cloudAR

 

Ver Américo Córdula

 

Ver Aline Fantinatti

 

Ver Karina Saccomanno Ferreira

 

Ver Pedro de Freitas

 

Ver Leandro Oliva

 

Para estimular a criação através do elemento ar, começo a andar cantando melodias, a princípio tudo muito abstrato mas no decorrer do processo vou cantando, colhendo e repetindo, repetindo até criar um formato, ficar orgânico, ficar fluido.

Ando cantando melodias | Victor Pessoa Bezerra

 

Sob a superfície, enterrada sob o peso do desgaste dos esforços passados, ou lentamente gestando dentro da escuridão protetora do calor do útero, há uma nova ideia, um novo conceito, uma nova forma, princípio ou possibilidade- uma nova vida. Ela deve emergir através da superfície em direção à luz…

Allan Kaplan em Artistas do invisível

 

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Ando cantando melodias

Se observarmos as respirações, observamos o elemento ar. A respiração te conecta com o infinito de possibilidades que a sua alma pode alcançar. Primeiramente, afino o meu instrumento (corpo) através do canto para dar um sentimento real à música (alma) e ter as notas dentro de mim. Sai de uma esfera puramente técnica, mas é dessa esfera em que a técnica se produz. É onde eu posso transgredir os próprios limites das regras teóricas, dos conceitos tonais, deixando a melodia “sem amarras”, indo para uma terra desconhecida. Como a respiração que conduz a meditação.

Caminhos que talvez a teoria (pensamentos) diria: isso pode, isso não pode.

Para estimular a criação através do elemento ar, começo a andar cantando melodias. A princípio tudo muito abstrato mas no decorrer do processo vou cantando, colhendo e repetindo, repetindo até criar um formato, ficar orgânico, ficar fluido. Gravo. A melodia vem do lugar em que estou, como um retrato de como me sinto naquele momento. Triste, alegre, confuso, eufórico…tudo é movimento e tudo pode se transmutar em música.

Não posso depender da tal “inspiração” para criar, é como o ato de comer, respirar, andar…

Assistir a espetáculos, fazer contatos. Arejar a mente com novas ideias, manter o ato de comunicação, pensar outros caminhos em que não estou acostumado, é sempre necessária a oportunidade para a transgressão: experimentar coisas, formações inusitadas, conectar com outros lugares do mundo, fazer pontes, conexões, investigações… não se permitir ficar no lugar é estar grávido do elemento ar.

Ver e ouvir Victor Pessoa Bezerra
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Como encontrar o trabalho da sua vida

Não vou dizer que nunca li livros de autoajuda, mas em um dado momento da vida percebi que precisava sair desse caminho que tentava, de forma recorrente, me apresentar fórmulas prontas.

A ‘The School of Life’ acabou sendo uma alternativa bem interessante, quando lançou uma série de livros filosóficos que tratam das grandes questões da vida contemporânea, tais como dinheiro, tecnologia, sanidade, desejo de mudar o mundo para melhor.

Esse é um deles. O autor, Roman Krznaric — que já havia me conquistado com sua obra sobre empatia — apareceu com esse livro num momento crucial do aspecto profissional da minha vida.

Buscando inspiração em Leonardo da Vinci, Marie Curie e Anita Roddick, bem como em obras de filósofos, psicólogos, sociólogos e historiadores, o autor explora o tema de forma ampla, profunda e prática.

Em síntese, ele diz que a gratificação no trabalho é composta por três ingredientes: sentido, fluxo e liberdade. E, claro, não traz uma solução ideal que se aplique a todos, mesmo porque ela inexiste.

Citando Herminia Ibarra, uma das importantes pensadoras acadêmicas sobre mudança de carreira, ele diz que nossa cultura de especialização é conflitante com a natureza multifacetada do ser humano:

nossa identidade de trabalho não é um tesouro oculto esperando para ser descoberto nas profundezas do nosso ser — pelo contrário, ela consiste em diversas possibilidades (…) somos diversos eus.”

Ver Denise Lagrotta
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livro Como encontrar o trabalho da sua vida no Google Books
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EUpreendedorismo

Fui convidada há dois anos atrás para participar de uma reunião da Rede Ubuntu.

Nunca tinha ouvido falar nessa rede, e como sou curiosa, resolvi ir conhecer. Era um encontro para apresentação de novos membros, e lá descobri que o seu fundador, Eduardo Seidenthal, havia construído uma carreira na Johnson & Johnson, chegando a estar como Diretor de Marketing da América Latina.

Logo pensei: o que levaria alguém — que atingiu tal “sucesso” no mundo corporativo — a fundar uma rede colaborativa de pessoas e organizações voltadas para o desenvolvimento do EUpreendedorismo? O que seria isso?

No livro que acabara de ser lançado, e que obviamente acabei adquirindo, diz que

“o EUpreendedorismo é um modelo mental, uma forma de pensar e agir, que busca a ampliação da consciência dos indivíduos para que estes possam realizar seus projetos profissionais ou pessoais, construindo o futuro a partir de suas essências. Um processo de aprendizagem e desenvolvimento que busca apoiar indivíduos, equipes e organizações a refletirem sobre seus propósitos, a mapearem caminhos possíveis para realizarem tais propósitos e, finalmente, colocar tais caminhos e projetos em prática.”

E para aterrar o conceito, Eduardo desenvolveu — em cocriação com a própria rede o modelo PURPOSE.

Picture2Ele explica a metáfora da árvore e diz que “o sol representa nosso propósito, isto é, a direção para a qual nossa árvore cresce. As raízes, por sua vez, representam nossos princípios, nossos nutrientes, nossas referências e a partir de onde nos energizamos (…); representamos o tronco como a nossa experiência (…); os galhos são como resultados de nossas experiências: nossos projetos, nossos empreendimentos nas mais variadas dimensões de nossas vidas (profissional, familiar, social, espiritual, etc); os frutos são o que colhemos de todas as nossas experiências, no seu sentido mais amplo.”

 No final do livro ele se questiona:

 “E para que tudo isso então?

 Ubuntu. Eu sou porque você é. Você é porque nós somos. À medida que nos conectarmos organicamente, ganharemos mais e mais força e seremos capazes de dar com os desafios complexos da humanidade.”

Ver Denise Lagrotta
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Vida criativa sem medo

Fui atraída para esse livro logo que soube de seu lançamento. As palavras “magia”, “criativa” e “medo”, estampadas numa capa multicolorida e tendo como autora uma pessoa que admiro muito, apresentavam-se como um convite irrecusável.

É difícil fazer uma rápida síntese dessa obra, mas vou trazer um pequeno trecho que acredito possa também te convidar à leitura:

“O que é viver criativamente?

Esta, acredito, é a pergunta central da qual depende toda a vida criativa: Você tem coragem de trazer à tona os tesouros que estão escondidos dentro de você?

Olhe, não sei o que está escondido dentro de você. Não tenho como saber. Talvez você mesmo mal saiba, embora eu suspeite que tenha tido vislumbres. Não conheço suas capacidades, suas aspirações, seus desejos, seus talentos secretos. Mas há certamente algo maravilhoso guardado dentro de você. Digo isso com total confiança, pois acredito que somos todos repositórios ambulantes de tesouros escondidos.

(…)

A caça para encontrar esse tesouro: isso é viver criativamente.

A coragem, para início de conversa, de se lançar nessa caça: isso é o que separa uma existência mundana de uma existência mais mágica.

Os resultados dessa caça, muitas vezes surpreendentes: é isso que chamo de Grande Magia.

(…)

Quando falo aqui de ‘viver criativamente’, entenda que não estou necessariamente falando de buscar uma vida que seja dedicada profissional ou exclusivamente às artes. (…) Não; quando falo de ‘viver criativamente’, estou falando de maneira mais ampla. Estou falando de viver uma vida mais motivada pela curiosidade do que pelo medo.”

Ver Denise Lagrotta
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Uma dinergia entre #sentido e #propósito

IMAGINATION_by_archanN

IMAGINATION_by_archanN

Você é o mundo que percebe e é produtor do mundo que expressa.

Sensível à beleza do universo, o artista consegue integrar sua percepção do mundo em sistemas de harmonia. Ao produzir sua obra, sistematizando percepções e sentimentos, ajuda outros a enxergarem o mundo com mais sensibilidade. Pensar sobre o ‪#‎sentido‬, convida a essa busca pelo jeito original como você é “tocadx” pela “música” do universo, essa busca da beleza da sua própria poesia, sua poiesis: sua criação, criando-se criando o mundo.

Observando o universo, o cientista quer compreendê-lo, assimilá-lo. E tem também a necessidade de ‘domar” a natureza, integrando-a às necessidades do ser humano. ‪#propósito‬ talvez tenha a ver com deixar x cientista aflorar, buscando compreender que mundo você cria ou pode criar com a sua poiesis, com suas práticas com #sentido.

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É comum nos depararmos com essa imagem de uma “divisão funcional” do cérebro e com o mito de que algumas pessoas ativam mais um lado que outro, mas a ciência mostra que os hemisférios sempre trabalham juntos, gerando um todo. Não precisa escolher qual lado do cérebro exercitar. O pleno artista é cientista. O pleno cientista é artista. Aliás, sinta e pense com o corpo todo e deixe a dinergia gerar.

Bachelard sobre Chillida: “o cosmos do Ferro”, imaginação e sentido

O filósofo francês Gaston Bachelard publicou um belíssimo ensaio sobre o percurso do escultor basco Eduardo Chillida. Uma imaginação potente, conduzida por “devaneios da dureza progressiva”, tornou real  seu desejo de encontrar a resistência absoluta da matéria. Quando decidiu tornar-se escultor, como todo aprendiz da linguagem tridimensional, Chillida entregou suas mãos ao trabalho na argila. O barro é substância que sabe dizer sim e  logo deixou de ser páreo para a vontade do artista. O encontro com a pedra ainda não foi capaz de convencer uma imaginação que desejava encontrar a resistência máxima. Eduardo Chillida tornou-se um ferreiro artista. Ou um artista que só na forja e no martelo encontrou o verdadeiro sentido de seu trabalho. Uma artista que fez de sua obra um verdadeiro elogio às “estranhas sensibilidades” que o ferro possui. No ensaio ” O Cosmos do Fogo”, Bachelard nos conta como o exercício da imaginação material se tornou  um aliado na dança incansável que executamos ao longo da vida: um passo para dentro e outro para fora de si. Os devaneios rigorosos do ferro redimensionaram o projeto de vida do ferreiro escultor.

chilida

 

 

Um pulsar que dança eternamente

81197a_57c1784cf2174070b5d5e4d41377f00c~mv2Começo com sentido para terminar em propósito.

Do “in” para o “out”. Da parte para o todo. Da impressão para a expressão. Do individual para o coletivo. Do sonho para a experiência. Do ego para o eco. Da pergunta para a resposta. Do fechado para o aberto. Da imaginação para a realidade. Da informação para a formação. Da contração para a expansão. Da investigação para a ação. Do criativo para o sociocriativo.
Tudo começa e termina. Tudo termina e começa.

Entre um e outro há um pulsar que dança eternamente.

“Se as portas da percepção fossem limpas, tudo pareceria ao homem como é: infinito” William Blake, em sua obra ‘As portas da percepção’, 1790

Dinergia em mim

Black And White Artistic Nude by Dan Comaniciu

Black And White Artistic Nude by Dan Comaniciu

Anos frustrados vendendo ideias nas quais não acredito. E uma constatação: não tenho mais nada a perder, nada que me pareça verdadeiro, nada que me mova a tomar passos ousados.

Busquei então inspiração na minha única verdade: libertar o gozo e a expressão da sexualidade feminina.

Dei um passo fora da trilha com parcos pertences: cara de pau e facilidade em me comunicar em outras línguas.

Conversas (re) criaram um mundo desconhecido: a pornografia, o feminismo, as políticas de gênero. Conversas a partir de um ponto limitado construíram uma nova inteligência e expandiram minha noção de realidade. Se antes, tinha aspirações limitadas a satisfazer prazeres materiais, hoje entendo a minha importância e insignificância como parte de um sistema. A estética das ostentações do passado ficou brega e não faz mais sentido emocional. A força motriz que me empurra ao longo do caminho é movida por um desejo coletivo, e ouso dizer, por um desejo de justiça social.