A beleza dos opostos

A beleza dos opostos está em ver o todo em cada parte e tudo em relação.

Está em alargar minha consciência, minhas luzes e sombras. O que vejo? O que não estou enxergando?

Está em compreender minhas polaridades. Interligar feminino e masculino, imaginação e raciocínio, emoção e razão…

Está em observar os infinitos. Meu universo interior e o mundo ao redor.

Em observar-me no tempo e o tempo em mim.

De minha história biológica e cultural –  ancestralidade e experiência de vida – herdei o olhar com o qual enxergo o que acredito estar por acontecer. Mas minha originalidade pulsa, abraçando o acaso, traindo a tradição e as predestinaçôes para criar um futuro imponderável. Como ensina a sabedoria matrística: “o passado está na frente e o futuro está na gente.” .

Os opostos não se anulam, os opostos criam.

No livro O Poder dos Limites, o arquiteto György Doczi cunha um conceito para exemplificar a distribuição energética presente nas harmonias naturais e estudadas pelos artistas, filósofos e cientistas, do passado e da atualidade. Pensada a partir da Proporção Áurea, dinergia é um vocábulo que expressa a energia criadora pela ordem harmônica.

Muitos termos se referem a aspectos do processo de formação de padrões pela união dos opostos, mas nenhum deles exprime seu poder gerador. Polaridade refere-se a opostos, mas não há indicação de que algo novo esteja nascendo. Dualidade e dicotomia indicam divisão mas não significam junção. Sinergia indica junção e cooperação, mas não engloba a ideia de opostos. Desde que não existe uma palavra adequada para esse processo universal de criação de padrões, um novo vocábulo, dinergia, é proposto. Dinergia é um termo formado por duas palavras gregas: dia – através, por entre, oposto – e energia.

O processo dinérgico de formação de padrões é onipresente na natureza. Unindo opostos na energia criativa dos organismos, a dinergia se expressa na relação em que o retângulo áureo é formado por duas partes desiguais, uma menor e uma maior, unidas em uma proporção harmônica.

Na Proporção Áurea há dinergia entre a parte menor (A) e a parte maior (B). Ou entre a parte e o todo.

 

 

Gosto de pensar em dinergia como a sinergia dos opostos.

Estudando meus #elementos, que são opostos e formadores de padrões, posso pensar suas dinergias e tentar enxergar e inventar meu jeito criativo de estar no mundo.

#Sentido, meu fogo interior, chama que aquece, queima e transforma. Combustão, afeto, tesão, sensibilidade para o que me inspira, liga, anima. Energia que me permite criar: algo novo, a mim mesmo, o mundo, o futuro.

#Propósito, ar, ver a ser, sonho, sopros imagéticos, aspirações, visões, utopia, a mudança que eu desejo ver em mim e no mundo, minha busca, minha intenção em movimento.

#Aprendizado, água, saber, adaptação, cura, fluência, interconexão, conhecimento. História de vida e ancestralidade que me permitem ver e compreender.

#Método, terra, meus meios para interferir na dinâmica da vida e (me) realizar. Mediação, sustentação, matéria, estrutura, estratégia, resultado, interface. O que eu disponho para fazer acontecer.

 

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Uma dinergia entre #sentido e #propósito

IMAGINATION_by_archanN

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Você é o mundo que percebe e é produtor do mundo que expressa.

Sensível à beleza do universo, o artista consegue integrar sua percepção do mundo em sistemas de harmonia. Ao produzir sua obra, sistematizando percepções e sentimentos, ajuda outros a enxergarem o mundo com mais sensibilidade. Pensar sobre o ‪#‎sentido‬, convida a essa busca pelo jeito original como você é “tocadx” pela “música” do universo, essa busca da beleza da sua própria poesia, sua poiesis: sua criação, criando-se criando o mundo.

Observando o universo, o cientista quer compreendê-lo, assimilá-lo. E tem também a necessidade de ‘domar” a natureza, integrando-a às necessidades do ser humano. ‪#propósito‬ talvez tenha a ver com deixar x cientista aflorar, buscando compreender que mundo você cria ou pode criar com a sua poiesis, com suas práticas com #sentido.

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É comum nos depararmos com essa imagem de uma “divisão funcional” do cérebro e com o mito de que algumas pessoas ativam mais um lado que outro, mas a ciência mostra que os hemisférios sempre trabalham juntos, gerando um todo. Não precisa escolher qual lado do cérebro exercitar. O pleno artista é cientista. O pleno cientista é artista. Aliás, sinta e pense com o corpo todo e deixe a dinergia gerar.

Um pulsar que dança eternamente

81197a_57c1784cf2174070b5d5e4d41377f00c~mv2Começo com sentido para terminar em propósito.

Do “in” para o “out”. Da parte para o todo. Da impressão para a expressão. Do individual para o coletivo. Do sonho para a experiência. Do ego para o eco. Da pergunta para a resposta. Do fechado para o aberto. Da imaginação para a realidade. Da informação para a formação. Da contração para a expansão. Da investigação para a ação. Do criativo para o sociocriativo.
Tudo começa e termina. Tudo termina e começa.

Entre um e outro há um pulsar que dança eternamente.

“Se as portas da percepção fossem limpas, tudo pareceria ao homem como é: infinito” William Blake, em sua obra ‘As portas da percepção’, 1790

Será que a concha percebia?

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Uma imagem…
Será que a concha percebia?
O dentro e o fora
O claro e o escuro
Energias opostas em harmonia geradora incontestável!
Afinal…Aqui está!
O finito do que se vê por fora, por forma…
Mas que basta olhar pra dentro para se dar conta…. de um infinito particular.
Todo o potencial de expansão desenhando em curvas um movimento criador, tão lindo!
E que não se define em tamanho,
mas que se enxerga em processo
É vivo!
Toda a beleza de um universo,
pronto para ser descoberto
dinergia em uma concha…
Imagine
E todo o resto?

Dinergia em mim

Black And White Artistic Nude by Dan Comaniciu

Black And White Artistic Nude by Dan Comaniciu

Anos frustrados vendendo ideias nas quais não acredito. E uma constatação: não tenho mais nada a perder, nada que me pareça verdadeiro, nada que me mova a tomar passos ousados.

Busquei então inspiração na minha única verdade: libertar o gozo e a expressão da sexualidade feminina.

Dei um passo fora da trilha com parcos pertences: cara de pau e facilidade em me comunicar em outras línguas.

Conversas (re) criaram um mundo desconhecido: a pornografia, o feminismo, as políticas de gênero. Conversas a partir de um ponto limitado construíram uma nova inteligência e expandiram minha noção de realidade. Se antes, tinha aspirações limitadas a satisfazer prazeres materiais, hoje entendo a minha importância e insignificância como parte de um sistema. A estética das ostentações do passado ficou brega e não faz mais sentido emocional. A força motriz que me empurra ao longo do caminho é movida por um desejo coletivo, e ouso dizer, por um desejo de justiça social.

Arte, Einstein, Imaginação, Inovação

Einstein“Se eu não fosse um físico, eu provavelmente seria um músico… Eu vivo meus devaneios na música.”

Comecei a ler o livro de Walter Isaacson sobre a vida de Albert Einstein. Analisando a impressionante capacidade imaginativa e criativa de Einstein, Issacson diz: “A vantagem competitiva de uma sociedade não virá da eficiência com que a escola ensina multiplicação ou tabela periódica, mas do modo como estimula a imaginação e a criatividade.”

É claro que a informação, o conteúdo e os saberes são importantíssimos, mas a nossa sociedade sempre negligenciou a imaginação e a criatividade como processo fundamental na construção do conhecimento.

É a partir da relação entre esses conceitos que preparamos um terreno extremamente fértil para exercer a inovação, para enxergar além das fronteiras do conhecimento convencional.

Não só Einstein, mas tantos outros gênios também seguiram o mesmo princípio, como Guimarães Rosa, Cândido Portinari ou Villa-Lobos que, através de uma profunda e consistente relação entre saberes e imaginação, olharam para o mundo de um jeito diferenciado, antecipando e anunciando, por meio da arte, mudanças que viriam transformar toda uma sociedade.

E pra fechar com chave de ouro, mais uma frase de Einstein: “A vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio, é preciso se manter em movimento.”