Transgressões convergentes

8575910566Tive o privilégio de presenciar algumas das conversas instigantes e profundas dos autores, os amigos Maria Benites, Bernard Fictner e Wanderlei Geraldi, durante o período de gestação do livro.

Sim, é uma obra sobre educação, mas no sentido mais amplo e profundo da palavra. Sobre um tipo de aprendizagem que expande e liberta.

Segundo os autores, o livro foi elaborado a partir da preocupação constante de “enxergar o verso das questões para nele tecer, com categorias encontradas nos pensamentos de Bakhtin, Vigotski e Bateson, elementos de respostas que sustentem uma prática de relações educativas.”

“Esperamos, com a reunião destes textos, colaborar com a discussão sobre as questões de desenvolvimento, sobre a centralidade da linguagem nos processos de constituição das subjetividades, sobre a importância de ultrapassar os quadros propostos se fazendo acompanhar pelas manifestações artísticas, sobre a imperiosa relação com a alteridade e sobre as disponibilidades que as novas tecnologias estão aportando e que nos provocam pelas práticas que a partir delas estão em construção.

Este é um livro onde louvamos a Transgressão, onde a transgressão e os transgressores são lidos com verdadeira fruição porque somos convidados por eles a transgredir o cânone, a ignorar o mito, a perguntar o simples e, sobretudo, a nos comover com eles (co-mover, mover-nos com). Achamos que talvez seja essa a primeira e última causa do pensar: provocar transgressões, convergir nas margens, voltar e sair com algo parecido a essa liberdade que todos sabem que existe mas que ninguém consegue definir (de-finir, pôr um fim) e que é mais ou menos como a vida.”

Em um dos capitulos do livro os autores abordam a expressão indígena “O passado está na frente e o futuro está na gente”, que me inspira e acompanha desde o momento que a conheci em conversas com Maria Benites. Costumo citá-la em cursos e oficinas ao tratar da relação dinérgica entre os elementos #aprendizado e #sentido.

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Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

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Uma dinergia entre #sentido e #propósito

IMAGINATION_by_archanN

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Você é o mundo que percebe e é produtor do mundo que expressa.

Sensível à beleza do universo, o artista consegue integrar sua percepção do mundo em sistemas de harmonia. Ao produzir sua obra, sistematizando percepções e sentimentos, ajuda outros a enxergarem o mundo com mais sensibilidade. Pensar sobre o ‪#‎sentido‬, convida a essa busca pelo jeito original como você é “tocadx” pela “música” do universo, essa busca da beleza da sua própria poesia, sua poiesis: sua criação, criando-se criando o mundo.

Observando o universo, o cientista quer compreendê-lo, assimilá-lo. E tem também a necessidade de ‘domar” a natureza, integrando-a às necessidades do ser humano. ‪#propósito‬ talvez tenha a ver com deixar x cientista aflorar, buscando compreender que mundo você cria ou pode criar com a sua poiesis, com suas práticas com #sentido.

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É comum nos depararmos com essa imagem de uma “divisão funcional” do cérebro e com o mito de que algumas pessoas ativam mais um lado que outro, mas a ciência mostra que os hemisférios sempre trabalham juntos, gerando um todo. Não precisa escolher qual lado do cérebro exercitar. O pleno artista é cientista. O pleno cientista é artista. Aliás, sinta e pense com o corpo todo e deixe a dinergia gerar.

Bachelard sobre Chillida: “o cosmos do Ferro”, imaginação e sentido

O filósofo francês Gaston Bachelard publicou um belíssimo ensaio sobre o percurso do escultor basco Eduardo Chillida. Uma imaginação potente, conduzida por “devaneios da dureza progressiva”, tornou real  seu desejo de encontrar a resistência absoluta da matéria. Quando decidiu tornar-se escultor, como todo aprendiz da linguagem tridimensional, Chillida entregou suas mãos ao trabalho na argila. O barro é substância que sabe dizer sim e  logo deixou de ser páreo para a vontade do artista. O encontro com a pedra ainda não foi capaz de convencer uma imaginação que desejava encontrar a resistência máxima. Eduardo Chillida tornou-se um ferreiro artista. Ou um artista que só na forja e no martelo encontrou o verdadeiro sentido de seu trabalho. Uma artista que fez de sua obra um verdadeiro elogio às “estranhas sensibilidades” que o ferro possui. No ensaio ” O Cosmos do Fogo”, Bachelard nos conta como o exercício da imaginação material se tornou  um aliado na dança incansável que executamos ao longo da vida: um passo para dentro e outro para fora de si. Os devaneios rigorosos do ferro redimensionaram o projeto de vida do ferreiro escultor.

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Arte, Einstein, Imaginação, Inovação

Einstein“Se eu não fosse um físico, eu provavelmente seria um músico… Eu vivo meus devaneios na música.”

Comecei a ler o livro de Walter Isaacson sobre a vida de Albert Einstein. Analisando a impressionante capacidade imaginativa e criativa de Einstein, Issacson diz: “A vantagem competitiva de uma sociedade não virá da eficiência com que a escola ensina multiplicação ou tabela periódica, mas do modo como estimula a imaginação e a criatividade.”

É claro que a informação, o conteúdo e os saberes são importantíssimos, mas a nossa sociedade sempre negligenciou a imaginação e a criatividade como processo fundamental na construção do conhecimento.

É a partir da relação entre esses conceitos que preparamos um terreno extremamente fértil para exercer a inovação, para enxergar além das fronteiras do conhecimento convencional.

Não só Einstein, mas tantos outros gênios também seguiram o mesmo princípio, como Guimarães Rosa, Cândido Portinari ou Villa-Lobos que, através de uma profunda e consistente relação entre saberes e imaginação, olharam para o mundo de um jeito diferenciado, antecipando e anunciando, por meio da arte, mudanças que viriam transformar toda uma sociedade.

E pra fechar com chave de ouro, mais uma frase de Einstein: “A vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio, é preciso se manter em movimento.”