André Martinez

Arte, cultura e criatividade entraram muito cedo em minha vida. Graças aos esforços de uma família determinada a me garantir a melhor educação, ainda que isso viesse a comprometer a maior fatia do orçamento familiar, pude estudar em um dos melhores colégios de Porto Alegre nos anos 80. Uma instituição jesuíta com educadores transgressores, infraestrutura de cair o queixo e programas de formação extracurricular para todos os gostos, da museologia ao cinema. Entre diversas atividades, ainda guri, ingressei na companhia de canto e dança do colégio, uma trupe muito ativa, com repertório permanente e uma agenda cheia de espetáculos em cidades brasileiras, principalmente no interior da região sul, e em algumas capitais do Mercosul.

Foi nesse contexto que vivi minha experiência precoce como empreendedor criativo. Quando surgiram os primeiros sistemas de videocassete doméstico, gravações informais passaram a fazer parte do cotidiano de nossas viagens e ensaios. A mão que segurava a câmera era de um colega apaixonado por televisão e entretenimento. O amigo-irmão Edson Erdmann. que tinha uma verdadeira usina de ideias na cabeça. Em pouco tempo as bricadeiras audiovisuais entre amigos foram ganhando corpo e, quando nos demos conta, estávamos operando uma pequena produtora. Produzíamos de tudo – de vídeos de casamento a desfiles de moda, de comerciais de TV à cobertura dos festivais de música do colégio. Edson, que hoje está à frente da Histórias Incriveis, já era um diretor genial, apesar da idade. Produções inventivas e caprichadas desafiavam os recursos técnicos precários e nossa pouca experiência. Aprendi muito com ele.

Aos 18 anos, eu já acumulava milhares de horas dedicadas a atividades criativas amadoras e profissionais: ensaios, apresentações, turnês, filmagens, reportagens, edição de videos, criação de roteiros, locuções, entrevistas, comercialização e toda a sorte de processos de produção. Na hora de escolher a faculdade, no entanto, estava mesmo interessado em algo que, naquele contexto histórico, me parecia novo e desafiador. Sem abdicar dos fazeres criativos, seduzido pela cibernética, que apontava para um mundo novo e um mercado cheio de oportunidades, acabei me formando analista de sistemas e administrador de empresas.

O resultado foi uma combinação insólita de experiências. Como programador e analista de sistemas, pude decodificar cada detalhe dos sistemas de informação organizacional e aprendi a sistematizar e a reduzir. Como dançarino e fazedor de vídeos, aprendi a articular minha expressão e meus movimentos com os de outras pessoas para criar algo coletivo, belo e expansivo. No transcorrer de duas décadas, o cartesiano e o poeta foram se mesclando em uma polaridade muito rica. Trabalhei como programador de teatro, cantei em um grupo vocal, dirigi e produzi espetáculos, fui parecerista de projetos, gestor de programas culturais público-privados, participei de governanças, desenvolvi políticas de investimento cultural para grandes corporações, me aventurei um pouco como realizador audiovisual independente. Observando por entre esses diversos papéis, enxergo uma pessoa com intuição forte e com habilidade para criar conexões de sentido, para desenhar metodologias e modelos e para facilitar o desenvolvimento de pessoas. Esse é o aprendizado que me permite prestar consultoria, por meio do Laboratório Sociocriativo, para organizações e mentoria para profissionais nos contextos da cultura, do empreendedorismo criativo e do desenvolvimento social. Meu jeito de trabalhar nesta convergência está organizado na tag inteligência sociocriativa.

A dança harmônica do universo me inspira. Sou fascinado pelas relações entre as partes, pela música das interdependências, que criam um todo elegante e cheio de significado. O que me move é ver a beleza nos movimentos e no ambiente. Uma beleza que convida a apreciar juntos, viver juntos. Adoro observar a vida criando. Dos formigueiros cultivados em potes de geleia na infância, ao pequeno jardim que me envolve no lugar onde trabalho atualmente, passando pelas coreografias nos coletivos em que dancei, o fascínio sempre se relaciona com desencadear um movimento e apreciar as coisas irem se inter-relacionando, enredando, gerando, ganhando uma ordem, criando algo que eu acho lindo.

Meu propósito é viver em um mundo sem violência, com muita poesia e alguma organização. Com o transcorrer da minha história, venho buscando aprender a interferir nos contextos e processos com mais consciência e delicadeza.

Sou um hacker e um artesão. Acolho o que o acaso me traz, aprendo com as pessoas com quem convivo, me aventuro a fazer o que meu coração manda, vou em busca do conhecimento necessário para colocar a mão na massa. Sempre conto com mãos, corações e mentes amigas que me completam.

Em minha jornada aprendi que cultura é a vida com sentido. Na última década venho pesquisando a complexidade das práticas e metodologias de organizações e de empreendedores socioculturais e criativos, e investigando como a gestão pode ser mais viva. Acredito que este é o lugar de uma convergência (entre afeto, energia e criatividade) criadora de novos padrões e de processos regenerativos.

Acessar mais informações sobre mim em meu site
Seguir minha página no Facebook
Ver Aline Fantinatti →
Ver Zenilda Cardozo ←

Ir para
 
Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método
A beleza dos opostos 
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

Foto Simone Sartori

Aline Fantinatti

“Esta, é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva. Falando diretamente do Mundo da Lua.”

Minha cabeça no mundo da lua era um dos meus traços mais notórios quando criança. A família guarda relatos no mínimo muito bem humorados sobre minhas distrações e esquecimentos. Filha única até os oito anos de idade, eu usava o arsenal de estórias e personagens de gibis, livros, filmes e desenhos animados para construir narrativas fantásticas no território da minha imaginação. A maioria das histórias, falavam sobre alcançar outros planetas, outros mundos. No limite imposto pela realidade, eu queria voar para muito longe, investigar códigos estrangeiros de conduta, acessar universos misteriosos. Alguns elementos mais factíveis desses roteiros estrelados por uma Indiana Jones galática acabaram por tomar forma em minhas decisões pessoais, como a de estudar relações internacionais.

A jornada com contornos de ficção científica estendeu-se durante início da minha carreira. Um desejo latente por aventura, acima de qualquer ambição, me levou a impensáveis recônditos. Onde ninguém me imaginaria, era lá que eu queria infiltrar-me e reportar segredos, formular estratégias, desenhar um cenário inimaginável para a maioria das pessoas. Foi assim que me tornei uma das poucas mulheres a trabalhar em segmentos duros e masculinos, que operam atrás de um véu costurado entre grandes discussões políticas, guerras, alianças e muita propaganda. Circular por tanto tempo nas indústrias de extração de petróleo e de material bélico, em posições estratégicas, ampliou todos os limites da minha visão sobre o mundo. Ao longo do tempo, e do meu amadurecimento, as relações de interesses e a estrutura das forças de poder ficaram escancaradas. Era difícil voltar minhas costas para o mundo e continuar vivendo dentro de uma bolha com opções pré-formatadas de planos individuais: casa, casamento, filhos.

No entanto, permanecia latente o entusiasmo de observar as relações humanas e de expor desequilíbrios de poder. Eu estava enfurecida. E eu sentia vontade de provocar, de mexer com as pessoas. Como podemos seguir inertes? Não é à toa que a pornografia foi meu primeiro objeto de estudo como pesquisadora independente. Durante meu processo de pesquisa, fui apoiada por pessoas talentosíssimas que queriam construir uma nova percepção das relações humanas através de novas referências visuais sobre o sexo. Comunicar minhas experiências e minhas descobertas através de textos e discussões serviu-me as minhas armas. Ejaculação feminina, filmagem de filmes pornô, cursos de twerking. Minhas concepções de gosto e a relação com o meu corpo foram desconstruídas neste percurso e toda forma de me relacionar com o mundo e até mesmo meu alinhamento político foram radicalmente transformados.

Determinada a continuar fiel à minha forma de encarar a vida, eu usei o humor e o sexo para comunicar minhas descobertas a outras mulheres. Estabelecer uma conduta mais livre em nossa relação com o sexo, e também em nossa subjetividade de mulher, toca em dimensões nada óbvias. Em um momento de tanta polaridade como o que vivemos, é muito difícil falar de questões políticas e sociais sem que lhe virem as costas ou simplesmente passem a lhe atacar. Surpreendentemente, o sexo se mostrou um elo com potencial de unir mulheres com posições muito diferentes em torno de temas que extravasam o orgasmo, o pornô e os vibradores. A forma como o sexo se manifesta em mídias visuais, nas relações sociais e pessoais, nas instituições e no próprio discurso traz para a luz questões que não estamos dispostas a observar: igualdade social, privilégios, a prevalência de ideais de beleza que alimentam engrenagens de indústrias inteiras, entre outras coisas para lá de cabeludas.

Depois de um ano e meio empreendendo pesquisas independentes sobre igualdade de gênero, sexo e pornografia, eu decidi que queria me munir de ferramentas para gerar reflexão de forma sistêmica e aterrada em alguns métodos. Certa de que esses métodos devem se assentar na expressão criativa e na produção cultural, me inscrevi no mestrado de Curadoria e Crítica de Design da Design Academy Eindhoven, na Holanda. E aqui estou, exercitando ferramentas e formatos para comunicar minhas narrativas. Já não me encanto com alienígenas, mas com os contornos complexos do nosso próprio tempo e dos nossos territórios.

 

 

Pornografia, feminismo, liberdade e tolerância

Em 2016 comecei minha jornada com a organização de um debate – hoje teria até a cara de pau de chamar de simpósio – sobre pornografia e feminismo. A repercussão do evento, tanto boa quanto terrível, me motivou a aprofundar minhas reflexões. Criei um repositório dos meus textos e dos meus achados chamado Porneaux: um grupo que promoveu questionamentos sobre o corpo e a sexualidade feminina durante mais de um ano. As respostas das participantes falavam de transformação pessoal, de superação de traumas e de reconstrução da auto confiança.

Hoje, por meio do mestrado, tenho pesquisado formas tangíveis de conceitos muito abstratos, mas ainda próxima às questões da sexualidade. Montarei uma instalação para reproduzir mimicamente os mecanismos das tecnologias de reconhecimento ótico e de câmeras descritivas, a fim de questionar a confiança atribuída às tecnologias de IA que têm o objetivo de interpretar imagens com linguagem de texto. Além disso, trabalho no conceito de uma exposição que busca a verdade sobre o discurso holandês de tolerância e liberdade. O que será que permitiu a existência de ícones culturais como o Red Light District e a fama dos holandeses de serem extremamente abertos para falar de sexo? Vou contando para vocês aí!

Meus elementos sociocriativos

Ir para elemento #sentido

 

Ir para elemento #propósito

 

Ir para o elemento #aprendizado

 

Ir para elemento #método
Ver Américo Córdula →
Ver André Martinez ←

Ir para
 
Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método
A beleza dos opostos 
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

Foto acervo pessoal

Victor Pessoa Bezerra

Sou um músico, compositor e arranjador, buscador, pesquisador, curioso e captador de ideias. Sou filho de uma arte que quer se fazer cada vez mais livre, mais nua, mais intensa e criativa.

Autodidata, aprendi música através dos discos, das rodas de samba, no contato com músicos da noite e, anos depois estudei bateria com Pércio Sápia (Zimbo Trio) e piano erudito com a professora Raquel Maia. Logo, passei ao piano popular com a professora Débora Gurgel, além de ter feito um curso de Harmonia com o maestro Claudio Leal Ferreira, de técnica de arranjo com Lua Lafaiette e um curso de Linguagem Popular na música brasileira com o maestro Nailor, o “Proveta”.

Da minha relação com o cinema compus uma trilha para o teaser de um filme chamado “Liberdade Provisória” e uma trilha para uma peça de teatro chamada “Rebeldia, rebeldia”. Vindo de família Pernambucana, a poesia e os sons circulam no meu sangue de afluência nordestina e da minha relação com o samba surgiram várias parcerias com Wilson das Neves, Edil Pacheco, Ivor Lancelloti, Celso Viafora, Roque Ferreira, Everson Pessoa, Nino Miau e muitos outros. Fiz parte do Quinteto em Branco e Preto, onde trabalhei também com vários nomes da música como: Beth Carvalho (por quase 8 anos), Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Jair Rodrigues, Orquestra Jazz Sinfônica, Jamelão, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Nei Lopes e muitos outros, além de ter participado inúmeras vezes do programa “Ensaio” na TV Cultura, a convite do produtor musical Fernando Faro.

Já toquei em vários países como África do Sul, Angola, Suíça, França, Alemanha, Portugal, EUA, Equador, e Peru. Participei dos festivais de Montreaux (Suíça), Jazz á Vienne (França) e Latino Americando (Itália).

Atualmente desenvolvo um trabalho solo com o Victor Pessoa Quarteto chamado “Piano e fé”, um trabalho autoral voltado á canção e à pesquisa de ritmos brasileiros e afro-latinos. Atuo como pianista no curso “Corpo da voz” com a cantora e professora Fabiana Cozza e faço parte do núcleo de pesquisa sociocriativa.

 

 

 

Os quatro elementos da composição

 

Há o fogo-centelha que acende as ideias, um pressuposto diário de introspecção sobre o qual a arte se manifesta. Ela diz para onde quer ir e aponta o caminho, o sentido traz na chama da essência seu nascedouro. A ideia pode vir de qualquer lugar, o fogo é a intuição determinando o que se quer ser. Quando a chama se acende, vai se criando o primeiro movimento, o primeiro pensamento e tudo vai criando forma num espaço vazio.

Continuar lendo em Fagulhas que habitam o meu interior

 

Para estimular a criação através do elemento ar, começo a andar cantando melodias, a princípio tudo muito abstrato mas no decorrer do processo vou cantando, colhendo e repetindo, repetindo até criar um formato, ficar orgânico, ficar fluido.

Continuar lendo em Ando cantando melodias

 

Agora essa melodia vai encontrar seu fluxo, seus caminhos harmônicos a partir dos coloridos que quero construir dessas “transgressões”. Os acordes, em muitos casos, não têm “funções” harmônicas, eles vão formando prismas a partir da melodia. São sensações, intenções, movimentos. Há uma transparência no formato e na multiplicidade de formas que ela pode tomar. A harmonia se aprende a partir da melodia, ou seja, ela acolhe a fluidez nas suas vozes complementares. Tanto do ponto de vista vertical (acordes) ou horizontal (melodias, contrapontos, cadências etc.).

Continuar lendo em Conteúdo de ganho e eliminação

 

Quando a água busca a terra é para cultivar a semente que já está lá, plantada no campo material. Essa semente vira método, partitura, e a melodia pode  ganhar letra (ou não). Os acordes são indicados por cifras, como um idioma universal. O som se materializa numa gravação (digital ou analógica). A “terra” dos vinis de outrora é a “nuvem”dos internautas de agora. A missão de captar o “invisível” assume outras formas, outros modelos, mas é como ouvi uma criança dizer: “Para onde vai a música quando ninguém está tocando?”

Continuar lendo em No silêncio das pautas é onde moram os sons
Ver Zenilda Cardozo →
Ver Pedro de Freitas ←

Ir para
 
Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

foto Carolina Andrade

Denise Lagrotta

Se tivesse que falar sobre a minha bio há algum tempo atrás, me restringiria a relatar toda a minha experiência de 20 anos como advogada em diversas áreas e escritórios.

Hoje a resposta é mais complexa. Quando deixei o Direito como forma de expressão profissional, não tinha a menor ideia do que fazer dali para frente. O vazio ocupava um espaço imenso.

Mas foi nesse vazio que uma força vital emergiu.

Uma vez que aquela conhecida e confortável forma de percurso não fazia mais sentido, resolvi usar minha curiosidade como bússola para reinventar caminhos. Fui ao encontro de tudo que me parecia interessante. Livrarias eram meu segundo lar e terapias diversas me davam suporte. Fiz cursos de teatro e paisagismo, estudei Administração de Organizações do Terceiro Setor, mergulhei no campo das Ciências Noéticas, cursei a Formação Holística de Base na Unipaz, me capacitei como mediadora de conflitos. E uma diversidade de workshops, palestras e cursos.

Nesse caminho percebi que tinha uma capacidade de fazer links e conexões entre pessoas e assuntos completamente distintos entre si. Tudo o que me instiga e me causa estranheza é motivação para fazer pesquisas e práticas mais aprofundadas, com a finalidade de abrir fendas para novas direções e compartilhar o conhecimento adquirido.

Uma inquietação me acompanha desde cedo: a imposição de regras e limites. Muitas vezes me anestesiei com a realidade que achava imposta, mas em outras tantas consegui ter coragem de romper com certezas que pensava serem absolutas. Anais Nin disse que “a vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo”.

Para mim, a curiosidade é o que determina essa proporção. Ela é a bússola que me leva a reintegrar fragmentos e perceber que existe métrica na melodia, matemática nas vibrações, poesia nas cifras. No caminho de retomada do protagonismo da minha vida, redescobri talentos que se mesclam numa alquimia criativa, me possibilitando surfar na onda da incerteza e explorar o aleatório.

Meu propósito hoje é intervir para que o mundo se perceba como uma rede neural interconectada, no qual as pessoas se sintam menos adormecidas e mais vivas, onde a estética, o encantamento, a alegria, a leveza e a imaginação sejam tonalidades marcantes.

Faz parte do meu cotidiano o mergulho em pesquisas e ida a campo para conhecer novas pessoas e ideias. Acredito que o contato com contextos diversos me permite colocar tudo em diálogo e elaborar sínteses com coerência. Adoro estar em ambientes onde circulem pessoas e ideias que me tirem da cilada do óbvio. Maior ainda é a necessidade de integrar meus talentos e habilidades a projetos que tenham um propósito verdadeiramente inovador. Minha curiosidade não se limita a estudos, mas também inclui a busca constante por vivências que estimulem a imaginação e o pleno potencial sensorial, que me possibilitem conectar o invisível ao visível, reformular questões, construir respostas e integrar novos conhecimentos.

Ver minhas dicas e insights
Conhecer meu site
Ver Karina Saccomanno →
Ver Américo Córdula ←

Ir para
 
#Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

 

 

 

 

 

Américo Córdula

Venho de uma família de artistas, todos estão relacionados ao Teatro, pais e irmãos, o que é um privilégio. Quando criança acompanhava ensaios e dormia muito em cama de campanha nos teatros. Era inevitável que viesse a ser ator, embora tenha antes enveredado pela ciências da computação, área em que me formei.

Nasci em João Pessoa e carrego essa ancestralidade nordestina com muito orgulho, entre potiguaras e a cultura tradicional, entre educadores e artistas plásticos, críticos de arte, que de alguma forma viriam a me influenciar.

Fui criado em Sampa e desde cedo militei em movimentos, estudantis, como Diretas Já e Arte Contra a Barbárie. Deste último, um grupo de colegas resolveu replicar a experiência ao criar o Fórum Permanente de Culturas Populares, que foi um marco de transformação na minha jornada. Esse movimento me levou ao Ministério da Cultura, por onde passei uma década de aprendizados e conhecimento, principalmente do Brasil profundo que tanto lia nos livros de Darcy Ribeiro, e que pude vivenciar.

 

 

 

Participar de um projeto político democrático popular nos governos de Lula e de Dilma foi a experiência mais enriquecedora. Me faz refletir sobre a crise existente nos dias de hoje – econômica, civilizatória e de direitos humanos – e sobre como ela pode de alguma maneira ser superada por mudanças de perspectivas culturais, construindo novos modelos de desenvolvimento que estão preocupados com o que os povos indigenas já preconizam há muito tempo, o “bem viver”. Para isso, porém, precisamos desconstruir padrões, rever o que é ser civilizado e trocar a responsabilidade social pela cultural: é o meu desafio nesse momento.

Acredito que a metodologia sociocriativa traz essa preocupação de transformação pelo desenvolvimento de maneira orgânica, muito alinhada com a perspectiva de que devemos pensar no todo, no próximo, no coletivo e em nossos descendentes.

Ir para página Responsabilidade Cultural no Facebook

 

Meus elementos sociocriativos

 

Ir para elemento #sentido

 

Ir para elemento #propósito

 

Ir para elemento #aprendizado

 

Ir para elemento #método
Ver Denise Lagrotta →
Ver Aline Fantinatti ←

Ir para
 
#Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

Karina Saccomanno Ferreira

De meu interesse pela poesia e pelas artes, parti para observar o mundo à minha volta. Foi através da arquitetura que descobri minha vontade em transformar espaços e através dos espaços, transformar relações. Na verdade, me descobri a arquiteta sendo mãe, pois foi pelos afetos, pelo processo contínuo de aprendizagem, pela observação e pelo exercício de presença que percebi os espaços de convivência e suas lógicas. Como é potente observar as crianças ocuparem os espaços, como é potente criar vínculos para atuar no mundo, em sociedade.

Hoje me empolgo mesmo com práticas de convivência que transformam um espaço e espaços transformados para acolher pessoas e favorecendo encontros e trocas. Seja através da Casa das Caldeiras e seus eventos, seja através dos projetos de arte e cultura desenvolvidos pela Associação Cultural Casa das Caldeiras, seja pelo projeto Manual da Família que trata do desenvolvimento das habilidades socioemocionais / sociorelacionais em família e em sociedade.

Com meu trabalho na Casa das Caldeiras desde 1999, pude experimentar, testar, trocar e seguir aprendendo sobre como espaços e pessoas se comportam. Percebi o potencial de transformação de um projeto de espaço-vivo, orgânico, com história e memória, ocupado com intenção, acolhendo expressões artísticas e movimentos da cidade, aberto para a diversidade. Muitas vezes basta colocar cuidadosamente os ingredientes certos para a mágica do encontro acontecer!

 

A Casa das Caldeiras

A Casa das Caldeiras é uma construção fabril de alvenaria de tijolos, construída na década de 1920 para servir como geradora de energia às antigas Indústrias Matarazzo – IRFM. Tombada em1986 pelo CONDEPHAAT como patrimônio histórico da cidade de São Paulo e edificação remanescente, foi restaurada e revitalizada no ano de 1999, dando início a uma nova ocupação do espaço. Com suas três chaminés de mais de 30 metros de altura e suas caldeiras remanescentes, é, sem dúvida, um convite a fantasia e a celebração.

Através da criação da Associação Cultural Casa das Caldeiras [ACCC] em 2005, uma organização da sociedade civil de interesse público e sem fins lucrativos, a Casa das Caldeiras desenvolve projetos de ocupação artística e cultural pautados no desenvolvimento humano, no exercício da cidadania e na valorização do patrimônio.

Visitar site da Casa das Caldeiras

 

Meus elementos sociocriativos

 

Ir para elemento #sentido

 

Ir para elemento #propósito

 

Ir para elemento #método

 

Ir para elemento #aprendizado
Ver Leandro Oliva → 
Ver Denise Lagrotta ← 

Ir para 

#Elementos sociocriativos 
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

Sobre o almanaque 
Como ler? 
Inteligência sociocriativa

foto Leandro Moraes

Leandro Oliva

Sou um sonhador, um inquieto, um artista, um educador, um provocador, um plantador que busca semear e cultivar poesia, beleza e qualidade. O que me move é o outro, o pulso de vida que há em cada um e a potência de transformação que o coletivo apresenta.

Sou especialista em Arte na Educação pela Universidade de São Paulo e graduado em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie. Estudei Pedagogia Social na PUC, gestão de organizações do Terceiro Setor na Fundação Getúlio Vargas, organização de eventos no SENAC. Em artes, além do curso técnico de ator do Teatro Escola Célia Helena, estudei dança, sapateado,  fotografia e um pouco de música. Ivaldo Bertazzo, Antônio Nóbrega, Rosane Almeida, Kika Sampaio e Jaime Arôxa foram alguns de meus mestres.

De 1998 a 2009, além de trabalhar como ator, produtor executivo e assistente de direção, atuei como arte-educador na Fundação Gol de Letra, Teatro Célia Helena, Casa do Teatro, Instituto Laramara e outras escolas, projetos sociais, instituições e faculdades. De 2007 a 2013 coordenei o programa social de uma multinacional que me convidou a abrir uma Organização Social. Após conhecer organizações que atuam com arte em diferentes regiões do Brasil, decidi criar um projeto que só existe em rede, em parceria com escolas públicas, organizações sociais, comunidades e empresas – o Projeto Palco.

Como pesquisador, meu foco está voltado para a formação de educadores de Arte relacionada às narrativas de vida.

 

 

O Projeto PALCO

Projeto para Arte, Lazer, Cultura e Orientação – um projeto social que promove e amplia o acesso à arte, os horizontes de vida, as possibilidades de escolhas, oportunidades e perspectiva de futuro de crianças, jovens, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade social. Oferece aulas semanais de música, teatro, dança e artes visuais em escolas públicas, organizações sociais, associações de bairro e comunidades de diferentes regiões da cidade de São Paulo. Promove passeios culturais, saídas pedagógicas, encontros com famílias, mostras culturais, fomento à criação e desenvolvimento de coletivos culturais, ações de formação de público e integração e troca entre comunidades. Tudo isso em diálogo com a potência do ambiente em que a pessoa vive. Resiliência, amizade, respeito, transparência e cidadania são os pilares do projeto.

O Projeto Palco não tem muros, constrói pontes. Existe para somar, para fortalecer o ensino e as experiências com arte nos mais diversos contextos e ambientes. O projeto parte de um diagnóstico local com as comunidades, a partir do qual são verificadas suas especificidades, potências do território, oportunidades, parceiros, colaboradores, possíveis ameaças, necessidades e pontos a melhorar. Diante deste panorama são desenvolvidas estratégias de ação que estimulem a autonomia, a proatividade, a resiliência, o desenvolvimento individual e comunitário em diferentes e complementares camadas. As estratégias são elaboradas a partir de três eixos do indivíduo: “eu interno” (valores, princípios e atitudes) – foco das aulas semanais -, “eu externo” (relação com o outro e, sobretudo, com as famílias) – foco dos eventos, encontros, reuniões e fóruns e, “eu no mundo” (atuação e pertencimento à cidade como um todo de forma cidadã) – foco no desenvolvimento de coletivos culturais, proposições e intervenções artísticas, intercâmbio cultural dentro e fora do território, apropriação da cidade como um todo, atividades que ampliam e aprofundam experiências urbanas e culturais. A implementação do plano de ação ocorre, sobretudo, com apoio, parceria e participação de agentes e instituições públicas, privadas, e/ou organizações sociais de diferentes localidades. Além disso, há seleção, treinamento e formação continuada de equipe operacional, formada por arte-educadores, jovens educadores em formação e colaboradores pontuais.

Visitar site do Projeto Palco

 

Meus elementos

 

Ir para elemento #sentido

 

Ir para elemento #propósito

 

Ir para elemento #método

 

Ir para elemento #aprendizado
Ver Pedro de Freitas → 
Ver Karina Saccomanno ← 

Ir para

#Elementos sociocriativos 
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

Sobre o almanaque 
Como ler? 
Inteligência sociocriativa

Foto arquivo pessoal

Pedro de Freitas

Nasci da mistura improvável entre uma cabeleireira, crente e rebelde, vinda do triângulo mineiro e um advogado, bigodudo, tipo porra loca, paulistano do Tucuruvi. Minhas primeiras referências artísticas vieram da minha mãe, que cantava para o sol, e das minhas avós, que diziam que todo o homem precisa saber dançar. Na lida da vida me despedi da infância no embate com uma segunda mãe, que me fez entender que o amor é feito também de sabores amargos. Me fiz homem na confiança de um pai que me deu corda para que eu fizesse as escolhas para trilhar meu próprio caminho com a compreensão da importância do equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.

Eu fui uma criança daquelas que tem os dentes da frente separados, danadas de cara. Eu era desses que cantam todo o tempo, falam pelos cotovelos, entram na casa dos outros e começam a explorar portas, armários, geladeira e acabam por cometer proezas improváveis como incendiar área de serviço, cair no mata-burro e até tomar um choque no lábio inferior enquanto tentava desconectar uma tomada com a boca. Nada me parava, lembro do meu corpo inquieto, pulsando num fluxo de desejo e curiosidade. Ouvi algumas vezes eu era tantan e confesso que achei que era.

Na adolescência encontrei um lugar onde a percebi que o que me fazia estranho era também o que me fazia especial e singular. Esse processo de autoconhecimento se deu no Teatro; na Menina-Bola da Jú Jardim, nas viradas de noite montando luzes no Rio Branco, fazendo Bailei na Curva com Dan e Duco, pintando o cenário do Capitão Fracassa, ensaiando o menino bobo do Aurora da Minha Vida… Nessas experiências me enxerguei tridimensional, luminoso, radiante e pude então encontrar e encarar minha loucura, aprendi a lidar com meu ímpeto selvagem de existência e dominar e dosar a força da minha ansiedade e da curiosidade.

Era então no Teatro que seguiria minha vida. Em qual de suas áreas ainda não sabia ao certo e assim, metido que sou, passei por todas. Aprendi de tudo um pouco até que cheguei na Unicamp onde fiz o curso de Artes Cênicas focado em Interpretação e decifrei que meu prazer estava em fazer a coisa acontecer juntando pontas, traduzindo mundos, conhecendo gente, fazendo gente se encontrar, criando mapas, encontrando saídas e assumindo problemas como desafios sempre solucionáveis.  Meu lugar era a produção teatral.

Vivenciando um coletivo de jovens atores, com o estímulo e a confiança de muita gente fui acumulando competências que só a prática podia me dar. Foi no trabalho com o Lume Teatro que ampliei meu senso de generosidade e adquiri os importantes princípios éticos da vida profissional. Seus sete atores me ensinara a olhar um mundo que eu buscava, um mundão imenso e encantador que me seduziu e, por fim, me fez partir de Barão Geraldo – Campinas, para adentrar suas águas e para desbravá-lo. Nesta  furor nasceu a Périplo Produções, para saciar essa fome de conhecer novos mares, novos sabores, fazer parte a partir de uma rede de afetos que me fazem estar em todo mundo ao mesmo tempo que sinto todo o mundo em mim. Nessas andanças visitei muitos países e entre 2015 e 2016 vivi em Paris para fazer um mestrado profissional em gestão de instituições culturais na Université Paris-Dauphine.

Hoje, vendo  a vida através dos olhos dos meus filhos encontro pedaços do meu pai, de meus avós e através desses traços ancestrais faço conjecturas sobre a vida eterna como um rastro genético ou uma coletânea de testemunhos de existência, ensinamentos e aprendizados que são passados de uns para os outros.

Eu ainda canto sem parar, falo pelos cotovelos e apesar de nunca mais ter colocado uma tomada na boca ainda tomo choques mexendo pelos fios da casa. Meus dentes da frente não são mais separados, mas sou ainda aquele menino danado, curioso e meio tantan. Que bom!

 

 

 

Périplo Produções

A Périplo Produções é uma empresa cultural focada em iniciativas de cooperação e intercâmbio entre artistas brasileiros e estrangeiros. Atua na organização de turnês, planejamento de estratégias, elaboração e gestão de projetos em artes cênicas.

A palavra périplo é associada às viagens de exploração dos mares relatadas na história e em grandes clássicos da literatura universal, como a Odisseia. Partir para um périplo é se lançar numa aventura, num percurso desconhecido e repleto de surpresas. Os tripulantes da viagem, ainda que voltem para o ponto do qual partiram, jamais serão os mesmos, pois trazem tatuado em suas almas e corpos a maraca da experiência.

A Périplo surgiu em maio de 2009 com o desejo de criar espaços de encontros que permitam a transformação de seus participantes através de experiências singulares. Nesse intuito executa projetos em parceria com instituições públicas e privadas, importantes artistas do teatro nacional e internacional. Dentre as realizações da produtora destacam-se as longas parcerias como bailarino butô Tadashi Endo (Japão/Alemanha), a palhaça Gardi Hutter (Suíça), as colaborações com Companhia Timbre4 (Argentina) e a montagem do espetáculo Celebração da Realidade com Isis Madi e Bruno Garcia, baseado em contos de Eduardo Galeano.

Em 2012 iniciou a ocupação de uma antiga casa na Vila Mariana. Um estaleiro de ideias e intenções, um espaço de trabalho colaborativo em constante transformação que acolhe empreendedores culturais, artistas residentes bem como pequenos ensaios e apresentações

Visitar site da Périplo Produções

 

Ir para elemento #sentido

 

Ir para elemento #propósito

 

Ir para elemento #aprendizado

 

Ir para elemento #método
Ver Victor Pessoa Bezerra → 
Ver Leandro Oliva ← 

Ir para

#Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

Sobre o almanaque 
Como ler? 
Inteligência sociocriativa

Zenilda Cardozo

Durante a infância, rodeada de fios, tramas, tecidos e práticas domésticas como o crochê, minha relação com as bonecas era bastante diferente do que se poderia esperar de uma menina do interior do Rio Grande do Sul. Tudo era possível para dar vida aos estranhos desfiles com minhas coleções de figurinos de papel: cortar cabelos, mudar a pintura de bocas e olhos, quando não arrancava as cabeças e fazia tecidos com o próprio corpo das bonecas. Também gostava de inventar criaturas incomuns, como a Felizbertina. Com o passar do anos, aquela criança se transformou numa mulher que questiona o chamado universo feminino, os conceitos e as relações de poder envolvidas na constituição de nossas subjetividades enquanto mulheres. Contemplando a menina, hoje compreendo como as bonecas eram transfiguradas em suporte para minhas invenções, fugindo de sua função formadora e imperativa de maternidade e cuidado.

Gosto de pensar sobre o ato de tecer como uma aranha que constrói sua teia e, assim, o seu destino, como a tecedura que dá forma e trabalha o tempo de vida, construindo e desconstruindo o cotidiano para reinventar-se. A reconstrução do universo feminino e de seus conceitos se manifesta em minha arte por meio da figura feminina e de sua sexualidade, passando a centralizar sua formação enquanto sujeito-mulher no corpo e nas suas relações com o mundo.

Minha vida como artista é estar em meio a fios, tramas, pensamentos e palavras. Uma miscelânea de materiais e objetos de toda ordem, objetos artísticos, teses, livros – imersa em tramas e palavras.

Tramas e palavras são transformadas em arte, feitas em fio de cobre. Palavras passadas adiante, palavras que encontram o seu lugar no mundo e lá permanecem ou que, simplesmente, se perdem no vazio. Fios de cobre, fios de vida, figuras cheias de histórias, figuras em trama, em texto.

A criação acontece a qualquer momento. Mas criar é um caminho sem volta. É perigoso e dolorido. Arte e dor caminham lado a lado e traçam uma linha tênue entre o criativo e a loucura. Como diria Nietzsche, para que a criação aconteça necessitamos da embriaguez, é preciso deixar-se contaminar com tudo o que nos rodeia. É nesse caminho onde aprendo e sou capaz de criar um repertório que me define como sujeito. É nesse processo que minha mente se forma e que o mundo é traduzido para mim. Minha mente está sempre se construindo… em devir.

 

 

 

Entre artes e ciências

Sou natural de Tupanciretã (RS) e vivo em Gold Coast, Austrália. Trabalho na intersecção entre as artes e as ciências, com ênfase na problematização dos discursos sobre o corpo na contemporaneidade. Tenho participado de exposições coletivas e individuais no Brasil e exterior, destacando as coletivas “Astúcias do Corpo”, em Florianópolis, SC e “[entre] Corpos”, Novo Hamburgo, RS, Brasil, em 2016 e “Concepciones de Tiempos Alterados”, em Buenos Aires, Argentina, em 2015. Participo dos coletivos de artistas visuais intitulados “Entrelínguas” e “Arquipélago-CasaAtelier-Espaço de Arte”, ambos com sede em Pelotas, RS. Grupos com os quais desenvolvo projetos internacionais, que visam a integração e problematização das artes com artistas de diferentes nacionalidades e perspectivas. Participei das edições em Pelotas, RS, Brasil 2009 e 2015; e em Pachuca, México, 2011. Destaco como minhas principais mostras individuais as exposições “Por um Fio”, Pelotas, RS, 2013 e “Doações do Corpo”, Porto Alegre, RS, Brasil. 2009.

Na série “Por um fio”, apresento uma reflexão sobre o estudo das relações entre linha e espaço, em que o desenho atinge uma tridimensionalidade – própria da escultura – e sugere um borramento das fronteiras entre as diferentes modalidades artísticas. As obras foram construídas a partir do estudo e da compreensão da figura como um todo, através da técnica do desenho cego e da utilização de um único traço, neste caso – um único fio de cobre.

A exposição “Doações do Corpo” faz parte do programa “Doações do Corpo – interface entre o sistema de transplantes de órgãos e tecidos e o circuito de artes”. Trata-se da realização de ações políticas que convidam o público à reflexão sobre a problemática do corpo na atualidade. As obras são construídas como uma metáfora de corpo com a apresentação dos meus próprios órgãos e tecidos para a doação. Os trabalhos são doados ao público selecionado através de um edital, mimetizando os procedimentos adotados pelo circuito das artes na seleção de artistas para exposições em espaços institucionais e pelo sistema de saúde na organização das filas de espera e escolha dos receptores para as cirurgias de transplantes de órgãos e tecidos. Os selecionados entregam uma foto 3×4 para a substituição dos órgãos/obras doados. As fotos são utilizadas na construção de um autorretrato, que é apresentado como a reconfiguração do corpo da artista – despedaçado e doado – formando assim, outra obra, diferente em linguagem plástica e carga simbólica.

Na ação artística “Reverberações do Corpo”, parto da pergunta “Quais seriam os elementos, materiais e questionamentos envolvidos na elaboração do próprio cérebro sob a forma de um objeto artístico?” e de uma série de problematizações anunciadas no trabalho anterior sobre doação para criar uma obra artística para ser apresentada como meu próprio “Cérebro”. A ação problematiza a centralidade dos discursos sobre o cérebro na contemporaneidade, com destaque à fragmentação e apresentação do corpo como metáfora, criando uma intersecção entre a arte e a ciência. O trabalho destaca a construção social do cérebro – o cérebro em devir – constituído, permanentemente, no encontro de diferentes perspectivas, em que as relações consigo e com o outro têm papel fundamental. O conjunto das reflexões criadas nesse encontro produz uma reverberação na intersecção entre a arte e a ciência.

Tenho doutorado em Educação em Ciências, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul/PPGQVS e mestrado pelo mesmo programa. Sou graduada em Biologia pela Universidade de Cruz Alta e em Desenho e Plástica pela Universidade Federal de Santa Maria.

É na esfera das nossas relações com o mundo e, especialmente, com o outro que a mente se desenvolve. As imagens do almanaque foram criadas usando tramas em desenho, pintura, fio de cobre e tecido. Partindo da constituição de nossa materialidade e de pontos interligados, as imagens saem do suporte e ganham tridimensionalidade.

Visitar site de Zenilda Cardozo
Ver André Martinez →
Ver Victor Pessoa Bezerra ←

Ir para
 
#Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa