O colar de Harmonia

Filha de Afrodite, divindade do amor, da beleza e da sexualidade na mitologia grega, e de Ares, senhor da guerra sangrenta, a deusa Harmonia, ou Concórdia para os romanos, personifica o perfeito equilíbrio entre o principio feminino e o masculino. Harmonia nasceu de uma traição, visto que Afrodite era casada (contra sua vontade) com o feio e mal-humorado Hefesto, deus da tecnologia, dos ferreiros, artesãos, escultores, do fogo e dos vulcões. Quando chega a época das bodas de Harmonia com o mortal Cadmo, regente de Tebas, Afrodite presenteia a filha com um colar. Feito por Hefesto em uma atitude de vingança, o adorno, ao mesmo tempo em que é capaz de dotar seu portador de uma beleza irresistível, carrega uma terrível maldição. Segundo alguns relatos, ao vesti-lo, Harmonia se transforma em uma serpente, e todos os que vieram a herdar a joia posteriormente acabam sendo destruídos.

Ver Colar de Harmonia em Wikipedia

Ir para

A beleza dos opostos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método

Sobre o almanaque
Como ler?Inteligência sociocriativa

Envie conteúdos

 

#Sentido, chama que me move

Leandro Oliva

 

Viver em função do que? O que nos faz seguir em frente? Que força é essa que nos tira do estado de inércia? O que nos mobiliza internamente? Por que fazemos o que fazemos? Como ocorrem nossas escolhas? E tantas e tantas questões parecem nascer de uma essência, do singular, do íntimo, da brasa de uma fogueira que cresce e diminui, mas que está sempre presente. Fogo que aquece, que transforma, que sustenta, que queima sem cessar tornando as cinzas alimento do que está sempre por vir.

Como um coração que pulsa, irriga e é irrigado, em termos físicos, vejo o sentido pulsante, latente, fervoroso. Não vejo, sinto. Está nas infinitas camadas, da epiderme às vísceras,  sobretudo entre as camadas, razão e emoção; está no vivido, na memória, no passado, no presente. Repleto de padrões que se estabelecem em relação, não estagnado, sem fixação, sempre em pulso, em vibração. E se soma. E se transforma. E sempre nos constitui. Faz o olho brilhar, o ouvido aguçar, a boca salivar, a pele suar, a mente construir, a mão agir.

Quando tudo parece sem lógica, sem narrativa, sem sentido, literalmente falando, camadas e mais camadas trazem padrões à tona que como um sol no horizonte emite raios que iluminam as ondas em movimento. E assim tudo segue. Tudo se move.

O primeiro acorde de uma música, o primeiro tempero de um prato, o terceiro sinal antes do ator entrar em cena, o primeiro impulso antes do beijo. Quantos pulsos, impulsos, rompantes que vivemos movidos por nosso sentido, pela chama que muda de cor, mas não de intensidade.

Uma dinergia entre #sentido e #propósito

IMAGINATION_by_archanN

IMAGINATION_by_archanN

Você é o mundo que percebe e é produtor do mundo que expressa.

Sensível à beleza do universo, o artista consegue integrar sua percepção do mundo em sistemas de harmonia. Ao produzir sua obra, sistematizando percepções e sentimentos, ajuda outros a enxergarem o mundo com mais sensibilidade. Pensar sobre o ‪#‎sentido‬, convida a essa busca pelo jeito original como você é “tocadx” pela “música” do universo, essa busca da beleza da sua própria poesia, sua poiesis: sua criação, criando-se criando o mundo.

Observando o universo, o cientista quer compreendê-lo, assimilá-lo. E tem também a necessidade de ‘domar” a natureza, integrando-a às necessidades do ser humano. ‪#propósito‬ talvez tenha a ver com deixar x cientista aflorar, buscando compreender que mundo você cria ou pode criar com a sua poiesis, com suas práticas com #sentido.

33

É comum nos depararmos com essa imagem de uma “divisão funcional” do cérebro e com o mito de que algumas pessoas ativam mais um lado que outro, mas a ciência mostra que os hemisférios sempre trabalham juntos, gerando um todo. Não precisa escolher qual lado do cérebro exercitar. O pleno artista é cientista. O pleno cientista é artista. Aliás, sinta e pense com o corpo todo e deixe a dinergia gerar.

Bachelard sobre Chillida: “o cosmos do Ferro”, imaginação e sentido

O filósofo francês Gaston Bachelard publicou um belíssimo ensaio sobre o percurso do escultor basco Eduardo Chillida. Uma imaginação potente, conduzida por “devaneios da dureza progressiva”, tornou real  seu desejo de encontrar a resistência absoluta da matéria. Quando decidiu tornar-se escultor, como todo aprendiz da linguagem tridimensional, Chillida entregou suas mãos ao trabalho na argila. O barro é substância que sabe dizer sim e  logo deixou de ser páreo para a vontade do artista. O encontro com a pedra ainda não foi capaz de convencer uma imaginação que desejava encontrar a resistência máxima. Eduardo Chillida tornou-se um ferreiro artista. Ou um artista que só na forja e no martelo encontrou o verdadeiro sentido de seu trabalho. Uma artista que fez de sua obra um verdadeiro elogio às “estranhas sensibilidades” que o ferro possui. No ensaio ” O Cosmos do Fogo”, Bachelard nos conta como o exercício da imaginação material se tornou  um aliado na dança incansável que executamos ao longo da vida: um passo para dentro e outro para fora de si. Os devaneios rigorosos do ferro redimensionaram o projeto de vida do ferreiro escultor.

chilida

 

 

Um pulsar que dança eternamente

81197a_57c1784cf2174070b5d5e4d41377f00c~mv2Começo com sentido para terminar em propósito.

Do “in” para o “out”. Da parte para o todo. Da impressão para a expressão. Do individual para o coletivo. Do sonho para a experiência. Do ego para o eco. Da pergunta para a resposta. Do fechado para o aberto. Da imaginação para a realidade. Da informação para a formação. Da contração para a expansão. Da investigação para a ação. Do criativo para o sociocriativo.
Tudo começa e termina. Tudo termina e começa.

Entre um e outro há um pulsar que dança eternamente.

“Se as portas da percepção fossem limpas, tudo pareceria ao homem como é: infinito” William Blake, em sua obra ‘As portas da percepção’, 1790

Será que a concha percebia?

81197a_0e4ccc3480464c91ae85fbd6d7d49c33~mv2

Uma imagem…
Será que a concha percebia?
O dentro e o fora
O claro e o escuro
Energias opostas em harmonia geradora incontestável!
Afinal…Aqui está!
O finito do que se vê por fora, por forma…
Mas que basta olhar pra dentro para se dar conta…. de um infinito particular.
Todo o potencial de expansão desenhando em curvas um movimento criador, tão lindo!
E que não se define em tamanho,
mas que se enxerga em processo
É vivo!
Toda a beleza de um universo,
pronto para ser descoberto
dinergia em uma concha…
Imagine
E todo o resto?

Dinergia em mim

Black And White Artistic Nude by Dan Comaniciu

Black And White Artistic Nude by Dan Comaniciu

Anos frustrados vendendo ideias nas quais não acredito. E uma constatação: não tenho mais nada a perder, nada que me pareça verdadeiro, nada que me mova a tomar passos ousados.

Busquei então inspiração na minha única verdade: libertar o gozo e a expressão da sexualidade feminina.

Dei um passo fora da trilha com parcos pertences: cara de pau e facilidade em me comunicar em outras línguas.

Conversas (re) criaram um mundo desconhecido: a pornografia, o feminismo, as políticas de gênero. Conversas a partir de um ponto limitado construíram uma nova inteligência e expandiram minha noção de realidade. Se antes, tinha aspirações limitadas a satisfazer prazeres materiais, hoje entendo a minha importância e insignificância como parte de um sistema. A estética das ostentações do passado ficou brega e não faz mais sentido emocional. A força motriz que me empurra ao longo do caminho é movida por um desejo coletivo, e ouso dizer, por um desejo de justiça social.