Guia do empreendedor sociocultural

81197a_11d79a862cf447d5b6d57bcdc0b7a0fcEm 2011, Minom Pinho e eu desenvolvemos uma plataforma digital para organizar conhecimento para a sustentabilidade em projetos socioculturais. Produzida pela Casa Redonda, a plataforma Sociocultural em Rede era constituída por um blog especializado, um circuito de workshops e o Guia do Empreendedor Sociocultural.

Utilizando uma linguagem simples e direta, o guia traz informações, reflexões, orientações e metodologia exclusiva concebidos para auxiliar realizadores socioculturais dos mais diversos segmentos – audiovisual, música, artes visuais, artes cênicas, humanidades, patrimônio e artes integradas – na concepção, no desenvolvimento, na execução, na viabilização e no aprimoramento de suas iniciativas e projetos a partir de premissas sustentáveis nos âmbitos social, ambiental, econômico e político.

Acessar o ebook Guia do empreendedor sociocultural
Ir para

Outras sugestões de leitura

Elementos sociocriativos

Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

Um almanaque

Dizem que a palavra árabe al-manakh refere-se ao lugar onde os nômades se reuniam para rezar e contar as experiências de viagens ou notícias de terras distantes.

Este é o sentido que mais se aproxima de nosso almanaque. Um lugar onde nômades da vida se encontram, olham para seu caminhar e compartilham percepções. Um espaço que chama à cocriação de uma nuvem de aprendizados inspiradores.

Idealizado com a intenção de compartilhar a metodologia da inteligência sociocriativa, o almanaque convida para um jeito de (auto)empreender mais delicado e humano, mais sustentado nas habilidades para escutar e observar, mais atento aos princípios de organização dos projetos e com mais sensibilidade para os processos vivos cocriativos.

Em 2016, uma campanha de crowdfunding liderada por mim, André Martinez, e pela Claudia Taddei, transformou a ideia inicial em um processo continuado de pesquisa participativa.

Começamos criando um grupo para dialogar sobre a noção da inteligência sociocriativa. Quatorze pessoas amigas, interessadas em temas conexos, abertas a transformações pessoais e preocupadas em gerar um mundo melhor a partir de suas intenções, conhecimentos e práticas.

Em encontros semanais, de julho a setembro de 2016, exploramos e enriquecemos ideias e conceitos originais a partir das práticas de cada participante e criamos uma compreensão compartilhada e aberta.

O movimento seguinte foi formar um grupo reduzido para empreender um percurso de pesquisa mais profundo que levasse à elaboração propriamente dos conteúdos a publicar. Para compor esse grupo, convidei as cinco pessoas participantes que me pareceram mais envolvidas com o projeto e dispostas a uma viagem mais longa. Nesse momento, também convidei a artista plástica Zenilda Cardozo para criar as ilustrações. Posteriormente, duas pessoas egressas das minhas mentorias colaborativas vieram agregar ainda mais vida aos estudos.

Foram nove meses de uma caminhada intensa e reveladora. Éramos nove pessoas inquietas, dispostas a se observar mutuamente e de forma compartilhada, cada uma articulando o estudo dos conceitos com a elaboração de uma narrativa para seu jeito original de inventar o mundo. Iniciamos aprendendo a cuidar da qualidade de nossas práticas de diálogo e observação, com exercícios que também ajudaram no fortalecimento de nossos vínculos enquanto grupo.

No transcorrer da jornada, toda tentativa de chegar a conceitos e fundamentos metodológicos parecia uma redução que não expressava a complexidade do que queríamos compartilhar. Ao mesmo tempo, percebíamos o quanto, na pesquisa, o processo em sí era cheio de vida e transformador para quem participava. A cada novo encontro, nos encantavam as descobertas a respeito de nossa própria relação com os elementos metodológicos da inteligência sociocriativa. O almanaque ia sendo escrito nas histórias de vida de cada um de nós, afetados pela experiência da pesquisa. A intenção inicial de produzir uma coleção de verbetes e textos para compor uma espécie de ambiente wiki, foi se mostrando para nós dura e inerte. Compreendemos que falar a partir da sensibilidade de cada pessoa seria bem mais tocante e intenso do que falar sobre algo “objetivo”. Mostrar nossas próprias ideias e práticas, seria mais rico que explicar conceitos fechados. Aproximações seriam mais efetivas que definições. Nesse momento, o almanaque se revelou cheio de delicadeza e poesia. Um verdadeiro maravilhamento. O conteúdo surgiu como uma síntese despretensiosa e aberta de um todo que se apresenta como uma metáfora, uma noção na qual se enredam conceitos e vida real.

Américo, Karina, Leandro e Pedro escolheram gravar videodepoimentos sobre como vivenciam a inteligência sociocriativa e mostrar um pouco de seu trabalho. Victor preferiu escrever a respeito de seus processos de composição musical. Zenilda elaborou objetos plásticos em técnica mista que serviram de matriz para as ilustrações. Denise trouxe dicas de referências externas que enriquecem a leitura e convidam a novas descobertas. Aline foi em busca da realização de seu sentido e de seu propósito em outro país e de lá mandou gravações cheias de significado sobre seu processo de mudança de carreira. Além de atuar como facilitador, eu desenhei a metodologia de pesquisa de padrões com o grupo e redigi os textos que apresentam as “desfinições” sociocriativas e interconectam os diversos conteúdos.

Tudo isso se mistura nessa interface que chamamos de hiperlivro, porque permite navegar livremente pelos hipertextos e hiperligações, criando conexões orgânicas entre os conteúdos multimida. É um trabalho experimental, construído com muito afeto e financiamento colaborativo, sem pretensão maior que compartilhar nossos olhares, provocar algumas boas reflexões e conectar gente com brilho nos olhos.

Nossa nuvem está no ar, entretecendo ideias e também nossas vidas, em movimento, aberta à tua leitura e participação.

Te convidamos a encontrar com a gente no al-manakh. Traz teu olhar curioso e um pouco de tuas histórias

André Martinez

Ir para

Como ler? (recomendado) →
Iniciar leitura

Inteligência sociocriativa

Como ler?

Navegar pelos hiperlinks, criar percursos próprios, buscar palavras mágicas, descobrir conexões, explorar. Talvez seguir as setas. Ou simplesmente rolar para cima…

Pensar divergente, abraçar o todo. Tudo é aberto, tudo é aproximação, noção, impressão, expressão, relação, nuvem, metáfora. “Desfinição” que não “de-fine”, que não põe fim, não impõe limite…

Relaxar, contemplar, apreciar, associar, filtrar, parar para refletir, respirar, revisitar, parar para ouvir, sentir.

Criar a própria leitura. Evitar: deduzir, concluir, reduzir. Nada é regra, nada é correto ou incorreto.

Tudo é o olhar de alguém em diálogo com o olhar de quem lê ou escuta.

Falamos em primeira pessoa para que possas sentir mais delicadamente as ressonâncias entre a voz de cada um de nós e a tua voz interior.

As fotografias que ilustram o almanaque capturam objetos de Zenilda Cardozo elaborados em técnica mista. As matrizes foram criadas usando tramas em desenho, pintura, fio de cobre e tecido. Partindo da constituição de nossa materialidade e de pontos interligados, as imagens saem do suporte e ganham tridimensionalidade.

Ir para

Iniciar leituraSobre o almanaqueInteligência sociocriativa

Amar e brincar

livro-amar-e-brincar-fundamentos-esquecidos-do-humano-maturana-verden-zoller-palas-athena-capaDescobri Maturana em 2006. Na época, prestava consultoria para a Avon na elaboração da sua política de patrocínios e de desenvolvimento cultural de revendedoras autônomas. O desafio era produzir uma abordagem centrada no feminino, mas não orientada a gênero. Meu ponto de partida foi estudar a dimensão filosófica do feminino e tive a feliz ideia de ir conversar com a professora Lya Diskin na Associação Palas Athena.

Durante a conversa ela me apresentou a noção de cultura matrística – uma situação cultural, oposta à matriarcal e patriarcal, na qual “na qual a mulher tem uma presença mística, que implica a coerência sistêmica acolhedora e liberadora do maternal fora do autoritário e do hierárquico” – e me sugeriu a leitura do livro “Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano”. Desde aquele momento minha forma de pensar e minhas práticas foram influenciadas pelas idéias do neurobiólogo chileno, um dos principais pensadores da complexidade.

Escrita por Humberto Maturana em parceria com a psicóloga alemã Gerda Verden-Zöller, a obra aborda três grandes temas: a formação da cultura patriarcal européia, a relação entre mãe e filho e um tipo de democracia vivida a partir da biologia do amar.

Considero uma leitura fundamental e recomendo como o início de jornada para quem deseja estudar a dinâmica dos sistemas vivos e a biologia cultural.

Além disso, o livro também é indicado para para mães e pais engajados na educação dos filhos.

“Colaboração não quer dizer obediência; ela ocorre na realização espontânea de comportamentos coerentes de dois ou mais seres vivos. Nessas circunstâncias, a colaboração é um fenômeno puramente biológico quando não implica um acordo prévio. Quando o faz, é um fenômeno humano. Ela surge de um desejo espontâneo, que leva a uma ação que resulta combinada a partir do prazer. Na colaboração não há divisão de trabalho. A emoção implícita na divisão do trabalho é a obediência. Desse modo, a maior parte da história do humano deve ter transcorrido na colaboração dos sexos, não na divisão do trabalho que hoje vivemos em nossa cultura patriarcal, como separação sexual dos afazeres. Em outras palavras, é a emoção, sob a qual fazemos o que fazemos como homens e mulheres, que torna ou não o afazer uma atividade associada ao gênero masculino ou feminino, segundo a separação valorativa própria de nossa cultura patriarcal, que nega a colaboração.”

(…)

“Assim, em nossa cultura patriarcal falamos de lutar contra a pobreza e o abuso, quando queremos corrigir o que chamamos de injustiças sociais; ou de combater a contaminação,quando falamos de limpar o meio ambiente; ou de enfrentar a agressão da natureza, quando nos encontramos diante de um fenômeno natural que constitui para nós um desastre; enfim, vivemos como se todos os nossos atos requeressem o uso da força, e como se cada ocasião para agir fosse um desafio.”

(…)

“Os conflitos da adolescência não são um aspecto próprio da psicologia do crescimento. Eles surgem na criança que enfrenta uma transição, na qual tem de adotar um modo de vida que nega tudo o que ela aprendeu a desejar na relação materno-infantil das relações matrísticas da infância, que corresponde aos fundamentos de sua biologia. Em outras palavras, a rebeldia da adolescência expressa o nojo, a frustração e o asco da criança que tem de aceitar e tornar seu um modo de vida que vê como mentiroso e hipócrita”

 

Ir para 

Amar e brincar no Google Books 
Mais sugestões de leitura 

A beleza dos opostos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

Sobre o almanaque 
Como ler? 
Inteligência sociocriativa 

Envie conteúdos

 

De onde vêm as boas ideias

Capa_DeOndeVemAsBoasIdeias_Final2.inddO autor, pensador e articulista Steven Johnson propõe que as inovações não são acontecimentos eventuais criados por mentes prodigiosas, mas que dependem de ambientes humanos férteis para florescer.

(…) “em geral somos mais bem-sucedidos ao conectar ideias do que ao protegê-las. Como o próprio livre mercado, a defesa da restrição do fluxo de inovação foi durante muito tempo reforçada por apelos à ordem “natural” das coisas. Mas a verdade é que, ao examinarmos a inovação na natureza e na cultura, percebemos que ambientes que constroem muros em torno de boas ideias tendem a ser menos inovadores que ambiente mais abertos. Boas ideias podem não querer ser livres, mas querem se conectar e se fundir, se recombinar. Querem se reinventar transpondo fronteiras conceituais. Querem tanto se completar umas às outras quanto competir.”

Ao longo da leitura são desvendados sete padrões fundamentais dos processos de inovação humanos e naturais: o possível adjacente, redes líquidas, intuição lenta, serendipidade, erro, exaltação e plataformas.

Ir para 

De onde vêm as boas ideias no Google Books 
Mais sugestões de leitura 

A beleza dos opostos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

Sobre o almanaque 
Como ler? 
Inteligência sociocriativa 

Envie conteúdos

 

Lévy e a inteligência coletiva

108949O filósofo e sociólogo Pierre Lévy abre janelas para compreender como somos influenciados pela internet e tecnologias digitais.

Não somente usamos as tecnologias que produzimos, nosso desenvolvimento cognitivo e práticas sociais são afetados por elas. O contato com o pensamento de Lévy, me ajudou a observar e compreender melhor o viver acoplado aos recursos tecnológicos conectivos que no dia a dia acompanham e moldam meu trabalho e pensamento: hipertexto, interconexão digital, mecanismos de busca, editores e simuladores gráficos.

No livro A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço”, o autor convida a pensar o impacto das técnicas sobre a sociedade em uma perspectiva antropológica de longa duração, desde o Espaço da Terra, em que nossa identidade e nossos vínculos eram fundados na relação com o cosmos, passando pelos espaços do Território e da mercadoria, até chegar as possibilidades e complexidades de um Espaço do saber, onde somos intelectuais coletivos.

“A dificuldade do Espaço do saber consiste em organizar o organizador, em objetivar o subjetivante. O saber sobre o saber deriva de uma circularidade essencial, originária, inelutável.”

Outras dicas de leituras para o mesmo autor são “As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática”; “As árvores de conhecimentos”; e “Cibercultura”.

Ir para 

A inteligência coletiva no Google Books 
Mais sugestões de leitura 

A beleza dos opostos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

Sobre o almanaque 
Como ler? 
Inteligência sociocriativa 

Envie conteúdos

 

Transgressões convergentes

8575910566Tive o privilégio de presenciar algumas das conversas instigantes e profundas dos autores, os amigos Maria Benites, Bernard Fictner e Wanderlei Geraldi, durante o período de gestação do livro.

Sim, é uma obra sobre educação, mas no sentido mais amplo e profundo da palavra. Sobre um tipo de aprendizagem que expande e liberta.

Segundo os autores, o livro foi elaborado a partir da preocupação constante de “enxergar o verso das questões para nele tecer, com categorias encontradas nos pensamentos de Bakhtin, Vigotski e Bateson, elementos de respostas que sustentem uma prática de relações educativas.”

“Esperamos, com a reunião destes textos, colaborar com a discussão sobre as questões de desenvolvimento, sobre a centralidade da linguagem nos processos de constituição das subjetividades, sobre a importância de ultrapassar os quadros propostos se fazendo acompanhar pelas manifestações artísticas, sobre a imperiosa relação com a alteridade e sobre as disponibilidades que as novas tecnologias estão aportando e que nos provocam pelas práticas que a partir delas estão em construção.

Este é um livro onde louvamos a Transgressão, onde a transgressão e os transgressores são lidos com verdadeira fruição porque somos convidados por eles a transgredir o cânone, a ignorar o mito, a perguntar o simples e, sobretudo, a nos comover com eles (co-mover, mover-nos com). Achamos que talvez seja essa a primeira e última causa do pensar: provocar transgressões, convergir nas margens, voltar e sair com algo parecido a essa liberdade que todos sabem que existe mas que ninguém consegue definir (de-finir, pôr um fim) e que é mais ou menos como a vida.”

Em um dos capitulos do livro os autores abordam a expressão indígena “O passado está na frente e o futuro está na gente”, que me inspira e acompanha desde o momento que a conheci em conversas com Maria Benites. Costumo citá-la em cursos e oficinas ao tratar da relação dinérgica entre os elementos #aprendizado e #sentido.

Ver livro no site da editora
Ir para 

Ver livro no site da editora 
Mais sugestões de leitura 

A beleza dos opostos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método 

Sobre o almanaque 
Como ler? 
Inteligência sociocriativa 

Envie conteúdos

 

André Martinez

Arte, cultura e criatividade entraram muito cedo em minha vida. Graças aos esforços de uma família determinada a me garantir a melhor educação, ainda que isso viesse a comprometer a maior fatia do orçamento familiar, pude estudar em um dos melhores colégios de Porto Alegre nos anos 80. Uma instituição jesuíta com educadores transgressores, infraestrutura de cair o queixo e programas de formação extracurricular para todos os gostos, da museologia ao cinema. Entre diversas atividades, ainda guri, ingressei na companhia de canto e dança do colégio, uma trupe muito ativa, com repertório permanente e uma agenda cheia de espetáculos em cidades brasileiras, principalmente no interior da região sul, e em algumas capitais do Mercosul.

Foi nesse contexto que vivi minha experiência precoce como empreendedor criativo. Quando surgiram os primeiros sistemas de videocassete doméstico, gravações informais passaram a fazer parte do cotidiano de nossas viagens e ensaios. A mão que segurava a câmera era de um colega apaixonado por televisão e entretenimento. O amigo-irmão Edson Erdmann. que tinha uma verdadeira usina de ideias na cabeça. Em pouco tempo as bricadeiras audiovisuais entre amigos foram ganhando corpo e, quando nos demos conta, estávamos operando uma pequena produtora. Produzíamos de tudo – de vídeos de casamento a desfiles de moda, de comerciais de TV à cobertura dos festivais de música do colégio. Edson, que hoje está à frente da Histórias Incriveis, já era um diretor genial, apesar da idade. Produções inventivas e caprichadas desafiavam os recursos técnicos precários e nossa pouca experiência. Aprendi muito com ele.

Aos 18 anos, eu já acumulava milhares de horas dedicadas a atividades criativas amadoras e profissionais: ensaios, apresentações, turnês, filmagens, reportagens, edição de videos, criação de roteiros, locuções, entrevistas, comercialização e toda a sorte de processos de produção. Na hora de escolher a faculdade, no entanto, estava mesmo interessado em algo que, naquele contexto histórico, me parecia novo e desafiador. Sem abdicar dos fazeres criativos, seduzido pela cibernética, que apontava para um mundo novo e um mercado cheio de oportunidades, acabei me formando analista de sistemas e administrador de empresas.

O resultado foi uma combinação insólita de experiências. Como programador e analista de sistemas, pude decodificar cada detalhe dos sistemas de informação organizacional e aprendi a sistematizar e a reduzir. Como dançarino e fazedor de vídeos, aprendi a articular minha expressão e meus movimentos com os de outras pessoas para criar algo coletivo, belo e expansivo. No transcorrer de duas décadas, o cartesiano e o poeta foram se mesclando em uma polaridade muito rica. Trabalhei como programador de teatro, cantei em um grupo vocal, dirigi e produzi espetáculos, fui parecerista de projetos, gestor de programas culturais público-privados, participei de governanças, desenvolvi políticas de investimento cultural para grandes corporações, me aventurei um pouco como realizador audiovisual independente. Observando por entre esses diversos papéis, enxergo uma pessoa com intuição forte e com habilidade para criar conexões de sentido, para desenhar metodologias e modelos e para facilitar o desenvolvimento de pessoas. Esse é o aprendizado que me permite prestar consultoria, por meio do Laboratório Sociocriativo, para organizações e mentoria para profissionais nos contextos da cultura, do empreendedorismo criativo e do desenvolvimento social. Meu jeito de trabalhar nesta convergência está organizado na tag inteligência sociocriativa.

A dança harmônica do universo me inspira. Sou fascinado pelas relações entre as partes, pela música das interdependências, que criam um todo elegante e cheio de significado. O que me move é ver a beleza nos movimentos e no ambiente. Uma beleza que convida a apreciar juntos, viver juntos. Adoro observar a vida criando. Dos formigueiros cultivados em potes de geleia na infância, ao pequeno jardim que me envolve no lugar onde trabalho atualmente, passando pelas coreografias nos coletivos em que dancei, o fascínio sempre se relaciona com desencadear um movimento e apreciar as coisas irem se inter-relacionando, enredando, gerando, ganhando uma ordem, criando algo que eu acho lindo.

Meu propósito é viver em um mundo sem violência, com muita poesia e alguma organização. Com o transcorrer da minha história, venho buscando aprender a interferir nos contextos e processos com mais consciência e delicadeza.

Sou um hacker e um artesão. Acolho o que o acaso me traz, aprendo com as pessoas com quem convivo, me aventuro a fazer o que meu coração manda, vou em busca do conhecimento necessário para colocar a mão na massa. Sempre conto com mãos, corações e mentes amigas que me completam.

Em minha jornada aprendi que cultura é a vida com sentido. Na última década venho pesquisando a complexidade das práticas e metodologias de organizações e de empreendedores socioculturais e criativos, e investigando como a gestão pode ser mais viva. Acredito que este é o lugar de uma convergência (entre afeto, energia e criatividade) criadora de novos padrões e de processos regenerativos.

Acessar mais informações sobre mim em meu site
Seguir minha página no Facebook
Ver Aline Fantinatti →
Ver Zenilda Cardozo ←

Ir para
 
Elementos sociocriativos
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método
A beleza dos opostos 
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

Foto Simone Sartori

Elementos sociocriativos

 

 

Os #elementos da metodologia sociocriativa me convidam a uma sensibilidade, um jeito de me apreciar vivendo e criando.

Observando através de suas lentes, busco entender um pouco melhor como meu modo de perceber, emocionar, pensar e agir interfere na forma como empreendo e aprendo. Minha complexidade é enorme e talvez não encontre respostas, mas com a simples ação de tentar abro espaço para processos autônomos que tanto me ajudam a iluminar e aceitar minha natureza, quanto levam a metamorfoses profundas.

Ando por caminhos que passam pela reflexão. Quero compreender meu jeito de ser, criar e fazer. Busco dispositivos e oportunidades que me permitam observar além do que acho que já sei a meu respeito. Contemplo meu caminho através de sequências com memórias significativas da minha vida. Olho também para os sonhos e ideais que me chamam para o futuro. Tento enxergar o que há “por entre” e distinguir os padrões que surgem através do tempo. Aprecio minhas nuvens: escolhas, práticas, saberes, criações, realizações, frustrações… Que todo é esse? O que diz de mim?

Olhares de pessoas amigas me ajudam a ver além de minhas convicções, de meus conceitos prontos, mortos.

Em meu percurso, vou transformando minhas descobertas em imagens e narrativas. Minha inspiração, minha intenção, meu conhecer, meus meios e práticas. Desenho, modelo uma espécie de argila conceitual. Um manifesto?

Que alegria quando chego a uma ideia que faz sentido para mim! Ela me posiciona e diferencia em uma rede de potenciais relações colaborativas, e abre um campo de possibilidades para conexões e fluxos. Bricolar essa noção de mim mesmo influencia naturalmente as minhas práticas.

Mas, ao mesmo tempo, quando compartilho meu manifesto com o mundo, vem sempre a sensação de que algo ficou de fora, de que as palavras reduziram e imobilizaram algo que é muito mais rico, vivo. Volto para meus percursos reflexivos e tudo recomeça, numa linda e infinita recursividade.

Os #elementos estão em movimento, em transformação constante, como eu, você e o mundo. São sequenciais e são simultâneos também.

Quando nos lançamos a explorar juntos os #elementos de cada pessoa do nosso grupo, vamos nos reconhecendo, enredando, nos criando como comunidade, tecendo laços, criando vínculos, facilitando a colaboração.

Os #elementos não são partes ou unidades. Não são pedaços de um todo. São, sim, dimensões, aproximações, interdependências, expressões que contém esse todo em si e que somente podem ser compreendidas em relação.

Observando-os, me parecem opostos entre si, opostos criadores, dinergias.

Ir para

A beleza dos opostos →
Elementos #sentido #propósito #aprendizado #método

Sobre o almanaque
Como ler?Inteligência sociocriativa

Envie conteúdos

A beleza dos opostos

A beleza dos opostos está em ver o todo em cada parte e tudo em relação.

Está em alargar minha consciência, minhas luzes e sombras. O que vejo? O que não estou enxergando?

Está em compreender minhas polaridades. Interligar feminino e masculino, imaginação e raciocínio, emoção e razão…

Está em observar os infinitos. Meu universo interior e o mundo ao redor.

Em observar-me no tempo e o tempo em mim.

De minha história biológica e cultural –  ancestralidade e experiência de vida – herdei o olhar com o qual enxergo o que acredito estar por acontecer. Mas minha originalidade pulsa, abraçando o acaso, traindo a tradição e as predestinaçôes para criar um futuro imponderável. Como ensina a sabedoria matrística: “o passado está na frente e o futuro está na gente.” .

Os opostos não se anulam, os opostos criam.

No livro O Poder dos Limites, o arquiteto György Doczi cunha um conceito para exemplificar a distribuição energética presente nas harmonias naturais e estudadas pelos artistas, filósofos e cientistas, do passado e da atualidade. Pensada a partir da Proporção Áurea, dinergia é um vocábulo que expressa a energia criadora pela ordem harmônica.

Muitos termos se referem a aspectos do processo de formação de padrões pela união dos opostos, mas nenhum deles exprime seu poder gerador. Polaridade refere-se a opostos, mas não há indicação de que algo novo esteja nascendo. Dualidade e dicotomia indicam divisão mas não significam junção. Sinergia indica junção e cooperação, mas não engloba a ideia de opostos. Desde que não existe uma palavra adequada para esse processo universal de criação de padrões, um novo vocábulo, dinergia, é proposto. Dinergia é um termo formado por duas palavras gregas: dia – através, por entre, oposto – e energia.

O processo dinérgico de formação de padrões é onipresente na natureza. Unindo opostos na energia criativa dos organismos, a dinergia se expressa na relação em que o retângulo áureo é formado por duas partes desiguais, uma menor e uma maior, unidas em uma proporção harmônica.

Na Proporção Áurea há dinergia entre a parte menor (A) e a parte maior (B). Ou entre a parte e o todo.

 

 

Gosto de pensar em dinergia como a sinergia dos opostos.

Estudando meus #elementos, que são opostos e formadores de padrões, posso pensar suas dinergias e tentar enxergar e inventar meu jeito criativo de estar no mundo.

#Sentido, meu fogo interior, chama que aquece, queima e transforma. Combustão, afeto, tesão, sensibilidade para o que me inspira, liga, anima. Energia que me permite criar: algo novo, a mim mesmo, o mundo, o futuro.

#Propósito, ar, ver a ser, sonho, sopros imagéticos, aspirações, visões, utopia, a mudança que eu desejo ver em mim e no mundo, minha busca, minha intenção em movimento.

#Aprendizado, água, saber, adaptação, cura, fluência, interconexão, conhecimento. História de vida e ancestralidade que me permitem ver e compreender.

#Método, terra, meus meios para interferir na dinâmica da vida e (me) realizar. Mediação, sustentação, matéria, estrutura, estratégia, resultado, interface. O que eu disponho para fazer acontecer.

 

Ir para

Elemento #sentidoElementos sociocriativos ←

O Poder dos Limites
 
Sobre o almanaque
Como ler?
Inteligência sociocriativa

Envie conteúdos