Guia do empreendedor sociocultural

81197a_11d79a862cf447d5b6d57bcdc0b7a0fcEm 2011, Minom Pinho e eu desenvolvemos uma plataforma digital para organizar conhecimento para a sustentabilidade em projetos socioculturais. Produzida pela Casa Redonda, a plataforma Sociocultural em Rede era constituída por um blog especializado, um circuito de workshops e o Guia do Empreendedor Sociocultural.

Utilizando uma linguagem simples e direta, o guia traz informações, reflexões, orientações e metodologia exclusiva concebidos para auxiliar realizadores socioculturais dos mais diversos segmentos – audiovisual, música, artes visuais, artes cênicas, humanidades, patrimônio e artes integradas – na concepção, no desenvolvimento, na execução, na viabilização e no aprimoramento de suas iniciativas e projetos a partir de premissas sustentáveis nos âmbitos social, ambiental, econômico e político.

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Elementos sociocriativos

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Inteligência sociocriativa

Um almanaque

Dizem que a palavra árabe al-manakh refere-se ao lugar onde os nômades se reuniam para rezar e contar as experiências de viagens ou notícias de terras distantes.

Este é o sentido que mais se aproxima de nosso almanaque. Um lugar onde nômades da vida se encontram, olham para seu caminhar e compartilham percepções. Um espaço que chama à cocriação de uma nuvem de aprendizados inspiradores.

Idealizado com a intenção de compartilhar a metodologia da inteligência sociocriativa, o almanaque convida para um jeito de (auto)empreender mais delicado e humano, mais sustentado nas habilidades para escutar e observar, mais atento aos princípios de organização dos projetos e com mais sensibilidade para os processos vivos cocriativos.

Em 2016, uma campanha de crowdfunding liderada por mim, André Martinez, e pela Claudia Taddei, transformou a ideia inicial em um processo continuado de pesquisa participativa.

Começamos criando um grupo para dialogar sobre a noção da inteligência sociocriativa. Quatorze pessoas amigas, interessadas em temas conexos, abertas a transformações pessoais e preocupadas em gerar um mundo melhor a partir de suas intenções, conhecimentos e práticas.

Em encontros semanais, de julho a setembro de 2016, exploramos e enriquecemos ideias e conceitos originais a partir das práticas de cada participante e criamos uma compreensão compartilhada e aberta.

O movimento seguinte foi formar um grupo reduzido para empreender um percurso de pesquisa mais profundo que levasse à elaboração propriamente dos conteúdos a publicar. Para compor esse grupo, convidei as cinco pessoas participantes que me pareceram mais envolvidas com o projeto e dispostas a uma viagem mais longa. Nesse momento, também convidei a artista plástica Zenilda Cardozo para criar as ilustrações. Posteriormente, duas pessoas egressas das minhas mentorias colaborativas vieram agregar ainda mais vida aos estudos.

Foram nove meses de uma caminhada intensa e reveladora. Éramos nove pessoas inquietas, dispostas a se observar mutuamente e de forma compartilhada, cada uma articulando o estudo dos conceitos com a elaboração de uma narrativa para seu jeito original de inventar o mundo. Iniciamos aprendendo a cuidar da qualidade de nossas práticas de diálogo e observação, com exercícios que também ajudaram no fortalecimento de nossos vínculos enquanto grupo.

No transcorrer da jornada, toda tentativa de chegar a conceitos e fundamentos metodológicos parecia uma redução que não expressava a complexidade do que queríamos compartilhar. Ao mesmo tempo, percebíamos o quanto, na pesquisa, o processo em sí era cheio de vida e transformador para quem participava. A cada novo encontro, nos encantavam as descobertas a respeito de nossa própria relação com os elementos metodológicos da inteligência sociocriativa. O almanaque ia sendo escrito nas histórias de vida de cada um de nós, afetados pela experiência da pesquisa. A intenção inicial de produzir uma coleção de verbetes e textos para compor uma espécie de ambiente wiki, foi se mostrando para nós dura e inerte. Compreendemos que falar a partir da sensibilidade de cada pessoa seria bem mais tocante e intenso do que falar sobre algo “objetivo”. Mostrar nossas próprias ideias e práticas, seria mais rico que explicar conceitos fechados. Aproximações seriam mais efetivas que definições. Nesse momento, o almanaque se revelou cheio de delicadeza e poesia. Um verdadeiro maravilhamento. O conteúdo surgiu como uma síntese despretensiosa e aberta de um todo que se apresenta como uma metáfora, uma noção na qual se enredam conceitos e vida real.

Américo, Karina, Leandro e Pedro escolheram gravar videodepoimentos sobre como vivenciam a inteligência sociocriativa e mostrar um pouco de seu trabalho. Victor preferiu escrever a respeito de seus processos de composição musical. Zenilda elaborou objetos plásticos em técnica mista que serviram de matriz para as ilustrações. Denise trouxe dicas de referências externas que enriquecem a leitura e convidam a novas descobertas. Aline foi em busca da realização de seu sentido e de seu propósito em outro país e de lá mandou gravações cheias de significado sobre seu processo de mudança de carreira. Além de atuar como facilitador, eu desenhei a metodologia de pesquisa de padrões com o grupo e redigi os textos que apresentam as “desfinições” sociocriativas e interconectam os diversos conteúdos.

Tudo isso se mistura nessa interface que chamamos de hiperlivro, porque permite navegar livremente pelos hipertextos e hiperligações, criando conexões orgânicas entre os conteúdos multimida. É um trabalho experimental, construído com muito afeto e financiamento colaborativo, sem pretensão maior que compartilhar nossos olhares, provocar algumas boas reflexões e conectar gente com brilho nos olhos.

Nossa nuvem está no ar, entretecendo ideias e também nossas vidas, em movimento, aberta à tua leitura e participação.

Te convidamos a encontrar com a gente no al-manakh. Traz teu olhar curioso e um pouco de tuas histórias

André Martinez

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Inteligência sociocriativa

Como ler?

Navegar pelos hiperlinks, criar percursos próprios, buscar palavras mágicas, descobrir conexões, explorar. Talvez seguir as setas. Ou simplesmente rolar para cima…

Pensar divergente, abraçar o todo. Tudo é aberto, tudo é aproximação, noção, impressão, expressão, relação, nuvem, metáfora. “Desfinição” que não “de-fine”, que não põe fim, não impõe limite…

Relaxar, contemplar, apreciar, associar, filtrar, parar para refletir, respirar, revisitar, parar para ouvir, sentir.

Criar a própria leitura. Evitar: deduzir, concluir, reduzir. Nada é regra, nada é correto ou incorreto.

Tudo é o olhar de alguém em diálogo com o olhar de quem lê ou escuta.

Falamos em primeira pessoa para que possas sentir mais delicadamente as ressonâncias entre a voz de cada um de nós e a tua voz interior.

As fotografias que ilustram o almanaque capturam objetos de Zenilda Cardozo elaborados em técnica mista. As matrizes foram criadas usando tramas em desenho, pintura, fio de cobre e tecido. Partindo da constituição de nossa materialidade e de pontos interligados, as imagens saem do suporte e ganham tridimensionalidade.

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Amar e brincar

livro-amar-e-brincar-fundamentos-esquecidos-do-humano-maturana-verden-zoller-palas-athena-capaDescobri Maturana em 2006. Na época, prestava consultoria para a Avon na elaboração da sua política de patrocínios e de desenvolvimento cultural de revendedoras autônomas. O desafio era produzir uma abordagem centrada no feminino, mas não orientada a gênero. Meu ponto de partida foi estudar a dimensão filosófica do feminino e tive a feliz ideia de ir conversar com a professora Lya Diskin na Associação Palas Athena.

Durante a conversa ela me apresentou a noção de cultura matrística – uma situação cultural, oposta à matriarcal e patriarcal, na qual “na qual a mulher tem uma presença mística, que implica a coerência sistêmica acolhedora e liberadora do maternal fora do autoritário e do hierárquico” – e me sugeriu a leitura do livro “Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano”. Desde aquele momento minha forma de pensar e minhas práticas foram influenciadas pelas idéias do neurobiólogo chileno, um dos principais pensadores da complexidade.

Escrita por Humberto Maturana em parceria com a psicóloga alemã Gerda Verden-Zöller, a obra aborda três grandes temas: a formação da cultura patriarcal européia, a relação entre mãe e filho e um tipo de democracia vivida a partir da biologia do amar.

Considero uma leitura fundamental e recomendo como o início de jornada para quem deseja estudar a dinâmica dos sistemas vivos e a biologia cultural.

Além disso, o livro também é indicado para para mães e pais engajados na educação dos filhos.

“Colaboração não quer dizer obediência; ela ocorre na realização espontânea de comportamentos coerentes de dois ou mais seres vivos. Nessas circunstâncias, a colaboração é um fenômeno puramente biológico quando não implica um acordo prévio. Quando o faz, é um fenômeno humano. Ela surge de um desejo espontâneo, que leva a uma ação que resulta combinada a partir do prazer. Na colaboração não há divisão de trabalho. A emoção implícita na divisão do trabalho é a obediência. Desse modo, a maior parte da história do humano deve ter transcorrido na colaboração dos sexos, não na divisão do trabalho que hoje vivemos em nossa cultura patriarcal, como separação sexual dos afazeres. Em outras palavras, é a emoção, sob a qual fazemos o que fazemos como homens e mulheres, que torna ou não o afazer uma atividade associada ao gênero masculino ou feminino, segundo a separação valorativa própria de nossa cultura patriarcal, que nega a colaboração.”

(…)

“Assim, em nossa cultura patriarcal falamos de lutar contra a pobreza e o abuso, quando queremos corrigir o que chamamos de injustiças sociais; ou de combater a contaminação,quando falamos de limpar o meio ambiente; ou de enfrentar a agressão da natureza, quando nos encontramos diante de um fenômeno natural que constitui para nós um desastre; enfim, vivemos como se todos os nossos atos requeressem o uso da força, e como se cada ocasião para agir fosse um desafio.”

(…)

“Os conflitos da adolescência não são um aspecto próprio da psicologia do crescimento. Eles surgem na criança que enfrenta uma transição, na qual tem de adotar um modo de vida que nega tudo o que ela aprendeu a desejar na relação materno-infantil das relações matrísticas da infância, que corresponde aos fundamentos de sua biologia. Em outras palavras, a rebeldia da adolescência expressa o nojo, a frustração e o asco da criança que tem de aceitar e tornar seu um modo de vida que vê como mentiroso e hipócrita”

 

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A beleza dos opostos
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De onde vêm as boas ideias

Capa_DeOndeVemAsBoasIdeias_Final2.inddO autor, pensador e articulista Steven Johnson propõe que as inovações não são acontecimentos eventuais criados por mentes prodigiosas, mas que dependem de ambientes humanos férteis para florescer.

(…) “em geral somos mais bem-sucedidos ao conectar ideias do que ao protegê-las. Como o próprio livre mercado, a defesa da restrição do fluxo de inovação foi durante muito tempo reforçada por apelos à ordem “natural” das coisas. Mas a verdade é que, ao examinarmos a inovação na natureza e na cultura, percebemos que ambientes que constroem muros em torno de boas ideias tendem a ser menos inovadores que ambiente mais abertos. Boas ideias podem não querer ser livres, mas querem se conectar e se fundir, se recombinar. Querem se reinventar transpondo fronteiras conceituais. Querem tanto se completar umas às outras quanto competir.”

Ao longo da leitura são desvendados sete padrões fundamentais dos processos de inovação humanos e naturais: o possível adjacente, redes líquidas, intuição lenta, serendipidade, erro, exaltação e plataformas.

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A beleza dos opostos
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Lévy e a inteligência coletiva

108949O filósofo e sociólogo Pierre Lévy abre janelas para compreender como somos influenciados pela internet e tecnologias digitais.

Não somente usamos as tecnologias que produzimos, nosso desenvolvimento cognitivo e práticas sociais são afetados por elas. O contato com o pensamento de Lévy, me ajudou a observar e compreender melhor o viver acoplado aos recursos tecnológicos conectivos que no dia a dia acompanham e moldam meu trabalho e pensamento: hipertexto, interconexão digital, mecanismos de busca, editores e simuladores gráficos.

No livro A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço”, o autor convida a pensar o impacto das técnicas sobre a sociedade em uma perspectiva antropológica de longa duração, desde o Espaço da Terra, em que nossa identidade e nossos vínculos eram fundados na relação com o cosmos, passando pelos espaços do Território e da mercadoria, até chegar as possibilidades e complexidades de um Espaço do saber, onde somos intelectuais coletivos.

“A dificuldade do Espaço do saber consiste em organizar o organizador, em objetivar o subjetivante. O saber sobre o saber deriva de uma circularidade essencial, originária, inelutável.”

Outras dicas de leituras para o mesmo autor são “As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática”; “As árvores de conhecimentos”; e “Cibercultura”.

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A beleza dos opostos
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Transgressões convergentes

8575910566Tive o privilégio de presenciar algumas das conversas instigantes e profundas dos autores, os amigos Maria Benites, Bernard Fictner e Wanderlei Geraldi, durante o período de gestação do livro.

Sim, é uma obra sobre educação, mas no sentido mais amplo e profundo da palavra. Sobre um tipo de aprendizagem que expande e liberta.

Segundo os autores, o livro foi elaborado a partir da preocupação constante de “enxergar o verso das questões para nele tecer, com categorias encontradas nos pensamentos de Bakhtin, Vigotski e Bateson, elementos de respostas que sustentem uma prática de relações educativas.”

“Esperamos, com a reunião destes textos, colaborar com a discussão sobre as questões de desenvolvimento, sobre a centralidade da linguagem nos processos de constituição das subjetividades, sobre a importância de ultrapassar os quadros propostos se fazendo acompanhar pelas manifestações artísticas, sobre a imperiosa relação com a alteridade e sobre as disponibilidades que as novas tecnologias estão aportando e que nos provocam pelas práticas que a partir delas estão em construção.

Este é um livro onde louvamos a Transgressão, onde a transgressão e os transgressores são lidos com verdadeira fruição porque somos convidados por eles a transgredir o cânone, a ignorar o mito, a perguntar o simples e, sobretudo, a nos comover com eles (co-mover, mover-nos com). Achamos que talvez seja essa a primeira e última causa do pensar: provocar transgressões, convergir nas margens, voltar e sair com algo parecido a essa liberdade que todos sabem que existe mas que ninguém consegue definir (de-finir, pôr um fim) e que é mais ou menos como a vida.”

Em um dos capitulos do livro os autores abordam a expressão indígena “O passado está na frente e o futuro está na gente”, que me inspira e acompanha desde o momento que a conheci em conversas com Maria Benites. Costumo citá-la em cursos e oficinas ao tratar da relação dinérgica entre os elementos #aprendizado e #sentido.

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André Martinez

Arte, cultura e criatividade entraram muito cedo em minha vida. Graças aos esforços de uma família determinada a me garantir a melhor educação, ainda que isso viesse a comprometer a maior fatia do orçamento familiar, pude estudar em um dos melhores colégios de Porto Alegre nos anos 80. Uma instituição jesuíta com educadores transgressores, infraestrutura de cair o queixo e programas de formação extracurricular para todos os gostos, da museologia ao cinema. Entre diversas atividades, ainda guri, ingressei na companhia de canto e dança do colégio, uma trupe muito ativa, com repertório permanente e uma agenda cheia de espetáculos em cidades brasileiras, principalmente no interior da região sul, e em algumas capitais do Mercosul.

Foi nesse contexto que vivi minha experiência precoce como empreendedor criativo. Quando surgiram os primeiros sistemas de videocassete doméstico, gravações informais passaram a fazer parte do cotidiano de nossas viagens e ensaios. A mão que segurava a câmera era de um colega apaixonado por televisão e entretenimento. O amigo-irmão Edson Erdmann. que tinha uma verdadeira usina de ideias na cabeça. Em pouco tempo as bricadeiras audiovisuais entre amigos foram ganhando corpo e, quando nos demos conta, estávamos operando uma pequena produtora. Produzíamos de tudo – de vídeos de casamento a desfiles de moda, de comerciais de TV à cobertura dos festivais de música do colégio. Edson, que hoje está à frente da Histórias Incriveis, já era um diretor genial, apesar da idade. Produções inventivas e caprichadas desafiavam os recursos técnicos precários e nossa pouca experiência. Aprendi muito com ele.

Aos 18 anos, eu já acumulava milhares de horas dedicadas a atividades criativas amadoras e profissionais: ensaios, apresentações, turnês, filmagens, reportagens, edição de videos, criação de roteiros, locuções, entrevistas, comercialização e toda a sorte de processos de produção. Na hora de escolher a faculdade, no entanto, estava mesmo interessado em algo que, naquele contexto histórico, me parecia novo e desafiador. Sem abdicar dos fazeres criativos, seduzido pela cibernética, que apontava para um mundo novo e um mercado cheio de oportunidades, acabei me formando analista de sistemas e administrador de empresas.

O resultado foi uma combinação insólita de experiências. Como programador e analista de sistemas, pude decodificar cada detalhe dos sistemas de informação organizacional e aprendi a sistematizar e a reduzir. Como dançarino e fazedor de vídeos, aprendi a articular minha expressão e meus movimentos com os de outras pessoas para criar algo coletivo, belo e expansivo. No transcorrer de duas décadas, o cartesiano e o poeta foram se mesclando em uma polaridade muito rica. Trabalhei como programador de teatro, cantei em um grupo vocal, dirigi e produzi espetáculos, fui parecerista de projetos, gestor de programas culturais público-privados, participei de governanças, desenvolvi políticas de investimento cultural para grandes corporações, me aventurei um pouco como realizador audiovisual independente. Observando por entre esses diversos papéis, enxergo uma pessoa com intuição forte e com habilidade para criar conexões de sentido, para desenhar metodologias e modelos e para facilitar o desenvolvimento de pessoas. Esse é o aprendizado que me permite prestar consultoria, por meio do Laboratório Sociocriativo, para organizações e mentoria para profissionais nos contextos da cultura, do empreendedorismo criativo e do desenvolvimento social. Meu jeito de trabalhar nesta convergência está organizado na tag inteligência sociocriativa.

A dança harmônica do universo me inspira. Sou fascinado pelas relações entre as partes, pela música das interdependências, que criam um todo elegante e cheio de significado. O que me move é ver a beleza nos movimentos e no ambiente. Uma beleza que convida a apreciar juntos, viver juntos. Adoro observar a vida criando. Dos formigueiros cultivados em potes de geleia na infância, ao pequeno jardim que me envolve no lugar onde trabalho atualmente, passando pelas coreografias nos coletivos em que dancei, o fascínio sempre se relaciona com desencadear um movimento e apreciar as coisas irem se inter-relacionando, enredando, gerando, ganhando uma ordem, criando algo que eu acho lindo.

Meu propósito é viver em um mundo sem violência, com muita poesia e alguma organização. Com o transcorrer da minha história, venho buscando aprender a interferir nos contextos e processos com mais consciência e delicadeza.

Sou um hacker e um artesão. Acolho o que o acaso me traz, aprendo com as pessoas com quem convivo, me aventuro a fazer o que meu coração manda, vou em busca do conhecimento necessário para colocar a mão na massa. Sempre conto com mãos, corações e mentes amigas que me completam.

Em minha jornada aprendi que cultura é a vida com sentido. Na última década venho pesquisando a complexidade das práticas e metodologias de organizações e de empreendedores socioculturais e criativos, e investigando como a gestão pode ser mais viva. Acredito que este é o lugar de uma convergência (entre afeto, energia e criatividade) criadora de novos padrões e de processos regenerativos.

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Foto Simone Sartori

Aline Fantinatti

“Esta, é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva. Falando diretamente do Mundo da Lua.”

Minha cabeça no mundo da lua era um dos meus traços mais notórios quando criança. A família guarda relatos no mínimo muito bem humorados sobre minhas distrações e esquecimentos. Filha única até os oito anos de idade, eu usava o arsenal de estórias e personagens de gibis, livros, filmes e desenhos animados para construir narrativas fantásticas no território da minha imaginação. A maioria das histórias, falavam sobre alcançar outros planetas, outros mundos. No limite imposto pela realidade, eu queria voar para muito longe, investigar códigos estrangeiros de conduta, acessar universos misteriosos. Alguns elementos mais factíveis desses roteiros estrelados por uma Indiana Jones galática acabaram por tomar forma em minhas decisões pessoais, como a de estudar relações internacionais.

A jornada com contornos de ficção científica estendeu-se durante início da minha carreira. Um desejo latente por aventura, acima de qualquer ambição, me levou a impensáveis recônditos. Onde ninguém me imaginaria, era lá que eu queria infiltrar-me e reportar segredos, formular estratégias, desenhar um cenário inimaginável para a maioria das pessoas. Foi assim que me tornei uma das poucas mulheres a trabalhar em segmentos duros e masculinos, que operam atrás de um véu costurado entre grandes discussões políticas, guerras, alianças e muita propaganda. Circular por tanto tempo nas indústrias de extração de petróleo e de material bélico, em posições estratégicas, ampliou todos os limites da minha visão sobre o mundo. Ao longo do tempo, e do meu amadurecimento, as relações de interesses e a estrutura das forças de poder ficaram escancaradas. Era difícil voltar minhas costas para o mundo e continuar vivendo dentro de uma bolha com opções pré-formatadas de planos individuais: casa, casamento, filhos.

No entanto, permanecia latente o entusiasmo de observar as relações humanas e de expor desequilíbrios de poder. Eu estava enfurecida. E eu sentia vontade de provocar, de mexer com as pessoas. Como podemos seguir inertes? Não é à toa que a pornografia foi meu primeiro objeto de estudo como pesquisadora independente. Durante meu processo de pesquisa, fui apoiada por pessoas talentosíssimas que queriam construir uma nova percepção das relações humanas através de novas referências visuais sobre o sexo. Comunicar minhas experiências e minhas descobertas através de textos e discussões serviu-me as minhas armas. Ejaculação feminina, filmagem de filmes pornô, cursos de twerking. Minhas concepções de gosto e a relação com o meu corpo foram desconstruídas neste percurso e toda forma de me relacionar com o mundo e até mesmo meu alinhamento político foram radicalmente transformados.

Determinada a continuar fiel à minha forma de encarar a vida, eu usei o humor e o sexo para comunicar minhas descobertas a outras mulheres. Estabelecer uma conduta mais livre em nossa relação com o sexo, e também em nossa subjetividade de mulher, toca em dimensões nada óbvias. Em um momento de tanta polaridade como o que vivemos, é muito difícil falar de questões políticas e sociais sem que lhe virem as costas ou simplesmente passem a lhe atacar. Surpreendentemente, o sexo se mostrou um elo com potencial de unir mulheres com posições muito diferentes em torno de temas que extravasam o orgasmo, o pornô e os vibradores. A forma como o sexo se manifesta em mídias visuais, nas relações sociais e pessoais, nas instituições e no próprio discurso traz para a luz questões que não estamos dispostas a observar: igualdade social, privilégios, a prevalência de ideais de beleza que alimentam engrenagens de indústrias inteiras, entre outras coisas para lá de cabeludas.

Depois de um ano e meio empreendendo pesquisas independentes sobre igualdade de gênero, sexo e pornografia, eu decidi que queria me munir de ferramentas para gerar reflexão de forma sistêmica e aterrada em alguns métodos. Certa de que esses métodos devem se assentar na expressão criativa e na produção cultural, me inscrevi no mestrado de Curadoria e Crítica de Design da Design Academy Eindhoven, na Holanda. E aqui estou, exercitando ferramentas e formatos para comunicar minhas narrativas. Já não me encanto com alienígenas, mas com os contornos complexos do nosso próprio tempo e dos nossos territórios.

 

 

Pornografia, feminismo, liberdade e tolerância

Em 2016 comecei minha jornada com a organização de um debate – hoje teria até a cara de pau de chamar de simpósio – sobre pornografia e feminismo. A repercussão do evento, tanto boa quanto terrível, me motivou a aprofundar minhas reflexões. Criei um repositório dos meus textos e dos meus achados chamado Porneaux: um grupo que promoveu questionamentos sobre o corpo e a sexualidade feminina durante mais de um ano. As respostas das participantes falavam de transformação pessoal, de superação de traumas e de reconstrução da auto confiança.

Hoje, por meio do mestrado, tenho pesquisado formas tangíveis de conceitos muito abstratos, mas ainda próxima às questões da sexualidade. Montarei uma instalação para reproduzir mimicamente os mecanismos das tecnologias de reconhecimento ótico e de câmeras descritivas, a fim de questionar a confiança atribuída às tecnologias de IA que têm o objetivo de interpretar imagens com linguagem de texto. Além disso, trabalho no conceito de uma exposição que busca a verdade sobre o discurso holandês de tolerância e liberdade. O que será que permitiu a existência de ícones culturais como o Red Light District e a fama dos holandeses de serem extremamente abertos para falar de sexo? Vou contando para vocês aí!

Meus elementos sociocriativos

Ir para elemento #sentido

 

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Foto acervo pessoal

Victor Pessoa Bezerra

Sou um músico, compositor e arranjador, buscador, pesquisador, curioso e captador de ideias. Sou filho de uma arte que quer se fazer cada vez mais livre, mais nua, mais intensa e criativa.

Autodidata, aprendi música através dos discos, das rodas de samba, no contato com músicos da noite e, anos depois estudei bateria com Pércio Sápia (Zimbo Trio) e piano erudito com a professora Raquel Maia. Logo, passei ao piano popular com a professora Débora Gurgel, além de ter feito um curso de Harmonia com o maestro Claudio Leal Ferreira, de técnica de arranjo com Lua Lafaiette e um curso de Linguagem Popular na música brasileira com o maestro Nailor, o “Proveta”.

Da minha relação com o cinema compus uma trilha para o teaser de um filme chamado “Liberdade Provisória” e uma trilha para uma peça de teatro chamada “Rebeldia, rebeldia”. Vindo de família Pernambucana, a poesia e os sons circulam no meu sangue de afluência nordestina e da minha relação com o samba surgiram várias parcerias com Wilson das Neves, Edil Pacheco, Ivor Lancelloti, Celso Viafora, Roque Ferreira, Everson Pessoa, Nino Miau e muitos outros. Fiz parte do Quinteto em Branco e Preto, onde trabalhei também com vários nomes da música como: Beth Carvalho (por quase 8 anos), Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Jair Rodrigues, Orquestra Jazz Sinfônica, Jamelão, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Nei Lopes e muitos outros, além de ter participado inúmeras vezes do programa “Ensaio” na TV Cultura, a convite do produtor musical Fernando Faro.

Já toquei em vários países como África do Sul, Angola, Suíça, França, Alemanha, Portugal, EUA, Equador, e Peru. Participei dos festivais de Montreaux (Suíça), Jazz á Vienne (França) e Latino Americando (Itália).

Atualmente desenvolvo um trabalho solo com o Victor Pessoa Quarteto chamado “Piano e fé”, um trabalho autoral voltado á canção e à pesquisa de ritmos brasileiros e afro-latinos. Atuo como pianista no curso “Corpo da voz” com a cantora e professora Fabiana Cozza e faço parte do núcleo de pesquisa sociocriativa.

 

 

 

Os quatro elementos da composição

 

Há o fogo-centelha que acende as ideias, um pressuposto diário de introspecção sobre o qual a arte se manifesta. Ela diz para onde quer ir e aponta o caminho, o sentido traz na chama da essência seu nascedouro. A ideia pode vir de qualquer lugar, o fogo é a intuição determinando o que se quer ser. Quando a chama se acende, vai se criando o primeiro movimento, o primeiro pensamento e tudo vai criando forma num espaço vazio.

Continuar lendo em Fagulhas que habitam o meu interior

 

Para estimular a criação através do elemento ar, começo a andar cantando melodias, a princípio tudo muito abstrato mas no decorrer do processo vou cantando, colhendo e repetindo, repetindo até criar um formato, ficar orgânico, ficar fluido.

Continuar lendo em Ando cantando melodias

 

Agora essa melodia vai encontrar seu fluxo, seus caminhos harmônicos a partir dos coloridos que quero construir dessas “transgressões”. Os acordes, em muitos casos, não têm “funções” harmônicas, eles vão formando prismas a partir da melodia. São sensações, intenções, movimentos. Há uma transparência no formato e na multiplicidade de formas que ela pode tomar. A harmonia se aprende a partir da melodia, ou seja, ela acolhe a fluidez nas suas vozes complementares. Tanto do ponto de vista vertical (acordes) ou horizontal (melodias, contrapontos, cadências etc.).

Continuar lendo em Conteúdo de ganho e eliminação

 

Quando a água busca a terra é para cultivar a semente que já está lá, plantada no campo material. Essa semente vira método, partitura, e a melodia pode  ganhar letra (ou não). Os acordes são indicados por cifras, como um idioma universal. O som se materializa numa gravação (digital ou analógica). A “terra” dos vinis de outrora é a “nuvem”dos internautas de agora. A missão de captar o “invisível” assume outras formas, outros modelos, mas é como ouvi uma criança dizer: “Para onde vai a música quando ninguém está tocando?”

Continuar lendo em No silêncio das pautas é onde moram os sons
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foto Carolina Andrade