André Martinez

Arte, cultura e criatividade entraram muito cedo em minha vida. Graças aos esforços de uma família determinada a me garantir a melhor educação, ainda que isso viesse a comprometer a maior fatia do orçamento familiar, pude estudar em um dos melhores colégios de Porto Alegre nos anos 80. Uma instituição jesuíta com educadores transgressores, infraestrutura de cair o queixo e programas de formação extracurricular para todos os gostos, da museologia ao cinema. Entre diversas atividades, ainda guri, ingressei na companhia de canto e dança do colégio, uma trupe muito ativa, com repertório permanente e uma agenda cheia de espetáculos em cidades brasileiras, principalmente no interior da região sul, e em algumas capitais do Mercosul.

Foi nesse contexto que vivi minha experiência precoce como empreendedor criativo. Quando surgiram os primeiros sistemas de videocassete doméstico, gravações informais passaram a fazer parte do cotidiano de nossas viagens e ensaios. A mão que segurava a câmera era de um colega apaixonado por televisão e entretenimento. O amigo-irmão Edson Erdmann. que tinha uma verdadeira usina de ideias na cabeça. Em pouco tempo as bricadeiras audiovisuais entre amigos foram ganhando corpo e, quando nos demos conta, estávamos operando uma pequena produtora. Produzíamos de tudo – de vídeos de casamento a desfiles de moda, de comerciais de TV à cobertura dos festivais de música do colégio. Edson, que hoje está à frente da Histórias Incriveis, já era um diretor genial, apesar da idade. Produções inventivas e caprichadas desafiavam os recursos técnicos precários e nossa pouca experiência. Aprendi muito com ele.

Aos 18 anos, eu já acumulava milhares de horas dedicadas a atividades criativas amadoras e profissionais: ensaios, apresentações, turnês, filmagens, reportagens, edição de videos, criação de roteiros, locuções, entrevistas, comercialização e toda a sorte de processos de produção. Na hora de escolher a faculdade, no entanto, estava mesmo interessado em algo que, naquele contexto histórico, me parecia novo e desafiador. Sem abdicar dos fazeres criativos, seduzido pela cibernética, que apontava para um mundo novo e um mercado cheio de oportunidades, acabei me formando analista de sistemas e administrador de empresas.

O resultado foi uma combinação insólita de experiências. Como programador e analista de sistemas, pude decodificar cada detalhe dos sistemas de informação organizacional e aprendi a sistematizar e a reduzir. Como dançarino e fazedor de vídeos, aprendi a articular minha expressão e meus movimentos com os de outras pessoas para criar algo coletivo, belo e expansivo. No transcorrer de duas décadas, o cartesiano e o poeta foram se mesclando em uma polaridade muito rica. Trabalhei como programador de teatro, cantei em um grupo vocal, dirigi e produzi espetáculos, fui parecerista de projetos, gestor de programas culturais público-privados, participei de governanças, desenvolvi políticas de investimento cultural para grandes corporações, me aventurei um pouco como realizador audiovisual independente. Observando por entre esses diversos papéis, enxergo uma pessoa com intuição forte e com habilidade para criar conexões de sentido, para desenhar metodologias e modelos e para facilitar o desenvolvimento de pessoas. Esse é o aprendizado que me permite prestar consultoria, por meio do Laboratório Sociocriativo, para organizações e mentoria para profissionais nos contextos da cultura, do empreendedorismo criativo e do desenvolvimento social. Meu jeito de trabalhar nesta convergência está organizado na tag inteligência sociocriativa.

A dança harmônica do universo me inspira. Sou fascinado pelas relações entre as partes, pela música das interdependências, que criam um todo elegante e cheio de significado. O que me move é ver a beleza nos movimentos e no ambiente. Uma beleza que convida a apreciar juntos, viver juntos. Adoro observar a vida criando. Dos formigueiros cultivados em potes de geleia na infância, ao pequeno jardim que me envolve no lugar onde trabalho atualmente, passando pelas coreografias nos coletivos em que dancei, o fascínio sempre se relaciona com desencadear um movimento e apreciar as coisas irem se inter-relacionando, enredando, gerando, ganhando uma ordem, criando algo que eu acho lindo.

Meu propósito é viver em um mundo sem violência, com muita poesia e alguma organização. Com o transcorrer da minha história, venho buscando aprender a interferir nos contextos e processos com mais consciência e delicadeza.

Sou um hacker e um artesão. Acolho o que o acaso me traz, aprendo com as pessoas com quem convivo, me aventuro a fazer o que meu coração manda, vou em busca do conhecimento necessário para colocar a mão na massa. Sempre conto com mãos, corações e mentes amigas que me completam.

Em minha jornada aprendi que cultura é a vida com sentido. Na última década venho pesquisando a complexidade das práticas e metodologias de organizações e de empreendedores socioculturais e criativos, e investigando como a gestão pode ser mais viva. Acredito que este é o lugar de uma convergência (entre afeto, energia e criatividade) criadora de novos padrões e de processos regenerativos.

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Foto Simone Sartori

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