#Sentido

 

Para ser grande, sê inteiro:

Nada teu exagera ou exclui

Sê todo em cada coisa

Pôe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim, em cada lago a lua inteira brilha,

Porque alta vive.

Álvaro de Campos

O que me inspira?

O que me move, entusiasma?

O que anima meu grupo?

Penso nas diversas camadas da palavra sentido.

Sentido como sensibilidade, percepção das manifestações da natureza, minhas próprias e de outras pessoas. Estímulos da visão, da audição, do tato, do paladar e do olfato. (Ou, como prefere Rudolf Steiner, estímulos dos doze sentidos da experiência do ser humano no mundo.) Estímulos que despertam emoções em mim.

Sentido como significado que eu atribuo a estas emoções e a tudo que observo ao redor. Faz sentir, faz sentido. Meu jeito afetivo de perceber e conceber a realidade.

Sentido como orientação. Por onde significados e sentimentos me levam. Minha deriva na vida, gerada a partir da minha sensibilidade e escolhas.

O que me encanta ou espanta? O que me arrebata?

Sinto as vibrações apaixonantes daquelas práticas que produzem sensação de êxtase e plenitude. Vivo experiências de fluxo. Observo o meu afeto, o que me afeta, mexe comigo, me excita, entusiasma, enternece.

O que cria calor no meu coração? O que me cria? O que me faz criar?

Fogo. Chama interior que me acende e transforma. Incuba minhas sementes. Queima meus excessos. Processa minhas mutações.

Energia criativa. Faíscas internas, desejos que me inquietam e inflamam, chamando, levando, impulsionando, gerando.

 

cloudFOGO

Ver Américo Córdula

 

Ver Karina Saccomanno Ferreira

 

Ver Pedro de Freitas

 

Ver Leandro Oliva

 

Ver Aline Fantinatti

 

Há o fogo-centelha que acende as ideias, um pressuposto diário de introspecção sobre o qual a arte se manifesta. Ela diz para onde quer ir e aponta o caminho, o sentido traz na chama da essência o seu nascedouro. A ideia pode vir de qualquer lugar, o fogo é a intuição determinando o que se quer ser. Quando a chama se acende, vai se criando o primeiro movimento, o primeiro pensamento e tudo vai criando forma num espaço vazio.

Fagulhas que habitam o meu interior | Victor Pessoa Bezerra

 

Somos um mar de fogueirinhas (…) Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam: mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

Eduardo Galeano em O livro dos abraços

 

O fogo é o presente dado à humanidade que permite a ela transformar uma coisa em outra, possibilitando, assim, criatividade. Por um instante, imagine um processo ou um indivíduo ou uma situação social ou organização que estancou, perdeu sua energia criativa, sua motivação, seu senso de direção. Dizemos que tal processo esfriou, teve sua chama apagada.

Allan Kaplan em Artistas do invisível

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