#Aprendizado

Se

Nem

For

Terra

Se

Trans

For

Mar

Paulo Leminski

O que foi transformando em mim com o tempo?

O que aprendi com as mudanças?

O que aprendemos?

O que vou conservando?

Aprecio o fluxo contínuo da água da vida levando meus tecidos mortos.

Aprecio desapegar ou simplesmente esquecer. Deixar passar o que está pronto demais, duro, dado, controlado. Quero desaprender, abandonar velhas fórmulas e estruturas, superar tudo o que me limita a um determinado jeito de ser e de praticar. Quero dissolver as certezas, deixar-me resvalar para fora das zonas de conforto e segurança. Quero deixar para lá, desencanar, perdoar(-me).

Água, substância comum, sangue, cultura, caldo nutritivo. Circula, traz outros humores, ensina novos cursos, me leva em tuas correntes.

Entre poças e redemoinhos, colisões aleatórias, com visões e pensamentos distintos dos meus, criam padrões inteiramente novos e me ensinam a me sentir confortável no desconforto das incertezas. Ao mesmo tempo, meu padrões essenciais permanecem, como a onda que se forma ao lado da rocha, enquanto a água segue seu curso na corredeira incessante de um rio.

Aprendo a me ver sendo eu. Aprendo a observar meu jeito de pensar e agir. Reconheço minha sabedoria ao mesmo tempo em que desconfio dela. Busco acessar minha ignorância e meus preconceitos. Busco conhecer e respeitar minha natureza.

Como em Heráclito“não se pode banhar duas vezes no mesmo rio” – cada novo ciclo nunca é igual ao anterior, pois tanto as pessoas como os contextos terão se transformado, ainda que sutilmente.

O que vou conservando em mim, na deriva desse incessante fluxo das águas, são repertórios vivos. Conhecimento incorporado, tácito, disponível, praticado com leveza e alegria. O que eu faço de mais genial com menor esforço cerebral. Intuição, improvisação, adaptação, contato-improvisação.

 

cloudAGUA

 

Ver Leandro Oliva

 

Ver Karina Saccomanno Ferreira

 

Ver Pedro de Freitas

 

Ver Américo Córdula

 

Ver Aline Fantinatti

Agora essa melodia vai encontrar seu fluxo, seus caminhos harmônicos a partir dos coloridos que quero construir dessas “transgressões”. Os acordes, em muitos casos, não têm “funções” harmônicas, eles vão formando prismas a partir da melodia. São sensações, intenções, movimentos. Há uma transparência no formato e na multiplicidade de formas que ela pode tomar. A harmonia se aprende da melodia, ou seja, ela acolhe a fluidez nas suas vozes complementares. Tanto do ponto de vista vertical (acordes) ou horizontal (melodias, contrapontos, cadências etc.).

Conteúdo de ganho e eliminação | Victor Pessoa Bezerra

 

Desde os primeiros dias da biologia, filósofos e cientistas têm notado que as formas vivas, de muitas maneiras aparentemente misteriosas, combinam a estabilidade da estrutura com a fluidez da mudança. Como redemoinhos de água, elas dependem de um fluxo constante de matéria através delas; como chamas, transformam os materiais de que se nutrem para manter sua atividade e para crescer; mas, diferentemente dos redemoinhos ou das chamas, as estruturas vivas também se desenvolvem, reproduzem e evoluem.

Fritjof Capra em A teia da vida

 

Quando pensamos em água, pensamos em movimento, fluxo, fluidez. A água é o elemento do processo. Ela vence a rigidez, não através do confronto brutal, mas encontrando o caminho de menor resistência.

Allan Kaplan em Artistas do invisível

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